A Poção de Panoramix

Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

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Um circo triste.

Vi hoje num jornal daqui de Campina Grande uma notícia que me deixou um bocado angustiada. Pois bem, um circo português, chamado circo Estoril, que está na cidade há alguns dias, foi assaltado ontem a noite.

O fato é que a maioria dos circos é pobre, ou relativamente pobre, o que me levou  a pensar imediatamente em seus integrantes, artistas, que trabalharam para conseguir a quantia furtada e que deverão trabalhar ainda mais para a recuperarem.

O que me chamou a atenção na reportagem, e me deixou triste,  foi a frustação nos rostos dos que trabalham com a alegria.

Lionel Messi.

Não vi a partida, que estava trabalhando. Mas, vi a notícia e os vídeos dos gols de Messi, hoje, contra o Arsenal, pelos quartos de final da Liga dos Campeões. O Barcelona desmontou o Arsenal, em um 4×1, com todos os gols marcados pelo artista argentino. Contenho-me para não começar a alinhar os lugares-c0muns usados para essas exibições fora do habitual.

Se o treinador da seleção nacional argentina fosse Pepe Guardiola, eu me arriscaria a dizer que seriam os vitoriosos do mundial deste ano. Mas, Maradona, o treinador, é inteligente, ao contrário do que pretendem seus críticos. Penso que tentará deixar Messi jogar da maneira mais próxima ao que faz no Barcelona. Se assim acontecer…

Além da beleza em si do futebol de Messi, esse tipo de atuação deixa-me empolgado por outras razões. Põe por terra a chatice do futebol pensado apenas a partir da compra e venda de futebolistas milionários. Claro que Messi recebe uma salário milionário, mas sua trajetória no Barcelona é um caso de desenvolvimento de longo prazo.

Outra chatice que é abalada  – porque essa afinal nunca cede totalmente – é do futebol burocrático, de modelo italiano, focado no resultado, ainda que seja por um mísero gol. Ora, eu quero é ver espetáculo, beleza, muitos gols e isso Messi e o Barcelona oferecem.  Que se cuide o Real Madrid e seus meninos mimados!

A Venezuela compra armamentos à Rússia.

Chavéz e Putin

A Venezuela anunciou a compra de equipamentos militares russos, totalizando um dispêndio de mais de 5 bilhões de dólares norte-americanos, conforme anunciou Vladimir Putin, o primeiro-ministro russo. Não quero discutir as despesas venezuelanas, que são feitas com dinheiro deles.

Chamou-me atenção a tolice que disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, a propósito dessas aquisições. Realmente, quase sempre que algo se diz ou se comenta por obrigação, consiste em uma bobagem. Se, além de falar por obrigação, o comentarista tem gravado no íntimo – tão profundo que o próprio não percebe – a marca da arrogência imperial, então a bobagem magnifica-se.

Pois bem, o representante do Departamento de Estado disse: Nós estamos com dificuldades para entender que necessidades de legítima defesa a Venezuela tem para ter esses equipamentos.

Se se tratasse de uma análise direta da assertiva, tomando-se em conta estritamente a frase, concluiríamos que estarem em dificuldades de compreender revela que estão em ignorância. Para isso, pensamento e estudo são recomendados, pois ajudam a superar a dificuldade.

Se lembrarmos que o dito não significa apenas o que parece, à primeira vista, então a coisa torna-se realmente saborosa. O dominador tem dificuldades de perceber por que razão o dominado quer deixar de sê-lo. Tem dificuldades de aceitar que ele próprio é a ameaça contra quê o dominado quer se precaver. Aí revela-se a arrogância: o dominador pretende sê-lo por alguma superioridade maior que a das forças. Pretende que o domínio é algo natural, daí espanta-se que alguém o rejeite.

O senhor Philip Crowley, o porta-voz do comentário tolo, terá alguma vez perguntado-se sobre as dificuldades dos outros compreenderem a necessidade dos EUA possuírem 5000 ogivas nucleares? Seria um bom passo para ele superar suas deficiências cognitivas.

Saudades de Portugal.

O Vianna da Arcada, em Braga.

Nostalgias vão e vêm, até porque elas precisam de alguma calma para instalar-se e o dia-a-dia não se compõe de muitos momentos calmos. Houve, na páscoa, um pequeno lapso de descanso, pois a sexta-feira foi dia feriado. Lembrei-me saudoso de Braga. Há um ano, estávamos lá, era semana santa. Vimos uma procissão, que não lembro se foi a do Domingo de Ramos, mas foi grande e interessante.

Quase todos os dias caminhávamos algo à volta de seis quilômetros. Os roteiros podiam mudar um pouco, mas o destino era o centro da cidade, passando pelo Largo da Senhora-a-Branca, passando pela magnífica Centésima Página, um e outro fino na Brasileira, uma entrada em algum mercado, que sempre há qualquer coisinha a comprar para comer à noite.

Entre vários outros aspectos, é do caminhar que tenho mais saudades, que ficam mais marcantes pelo contraste, pois que aqui não caminho. Saio de caso e meto-me no carro. Almoço e meto-me no carro. Saio do trabalho e meto-me no carro. Caminhar, só se o fizesse como as pessoas que cultivam o hábito como uma forma de exercício físico, disciplinadamente, com esse propósito específico, em um circuito específico, onde estão todos a fazerem seus exercícios. Assim, não me interessa.

Outra coisa me pôs no estado nostálgico: hoje chovia fininho ao amanhecer. Logo deve parar e o calor de céu aberto e sol forte voltará, impiedoso nos seus 35º com sensação de 40º. Claro que a chuva não me é minimamente estranha, mas no formato que ela escolheu para chover em Braga, nos meses de fevereiro, era-me desconhecida. Todos os dias, o dia todo, um mês inteiro. Não que seja bom ou ruim, mas que ficou na memória.

Almoço, doze e meia. Entra-se no restaurantezinho do João e da Gracinda, deixa-se o guarda-chuvas molhado na entrada, tiram-se os casacos. Uma jarrinha do tinto e uma sopinha de legumes quente para acalmar o estômago e afastar os frios. Se o movimento ainda é pouco, o João tem tempo de conversar e, basicamente, lastimar-se da vida. Que está tudo mais caro, que os clientes acham os preços altos, que o movimento vem caindo, que não aguenta mais trabalhar… No dia seguinte será a mesma coisa e será bom.

Legados:

1: Tanga (Angola):  Pano, capa. (dicionário Kimbundu-Português coordenado por J.D. Cordeiro da Matta)
Tanga (Brasil): Espécie de avental com que certos povos primitivos cobrem o corpo desde o ventre até as coxas. (dicionário da língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira)

2: Kitanda (Angola): Feira, mercado. (Dicionário de Kimbundu-Português coordenado por J.D. Cordeiro da Matta)
Quitanda (Brasil): Pequeno estabelecimento onde de vendem frutas, legumes, cereais,etc. (Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira)

3: Mbunda (Angola): Trazeiro, nádegas, saracoteio. (Dicionário de Kimbundu-Português coordenado por J.D. Cordeiro da Matta)
Obs:O N e o M antes de consoantes, tem somente a função de anasalar estas consoantes.
Bunda (Brasil): As nádegas e o ânus. (Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira)

Todos direto do site de Dulce Braga, uma angolana que passava férias de verão em Portugal, radicada no Brasil dois meses depois da Revolução dos Cravos em Portugal, e dois meses antes do dia da independência de Angola. Que acaba de escrever um livro contando parte dessa história, Sabor de Maboque, uma fruta que tem um aspecto interessante e sem dúvidas, dá vontade de provar…

Maboque

Maboque

A imprensa manipuladora.

A imprensa brasileira, em sua enorme maioria, é contra o governo do Presidente Lula. Esse governo, de fato, tem inúmeros aspectos reprováveis, mas tem êxitos inegáveis, o que está na base da aprovação popular do Presidente, a maior da história republicana brasileira. Não há problemas na imprensa não gostar do Lula e ela pode bem falar contra ele, diretamente e dizendo o porquê.

Problema há na adoção da mentira, da mensagem subliminar e da superficialidade como linha editorial. A mentira passa por fazer editorias chamando-os de reportagens e por deformar, pura e simplesmente os fatos. A mensagem subliminar passa por tentar atacar o Presidente indiretamente, tentando imputar-lhe disfarçadamente a responsabilidade por tudo que aconteça – até eventos da natureza – sem a coragem de dizê-lo abertamente.

A superficialidade salta à vista de quem veja as capas de revistas semanais e jornais: não passam, as primeiras, de revistas de tolices, da vida privada de atores de novelas e de futebolistas, de receitas milagrosas de como emagrecer, de pseudo-ciência de almanaque, de falsos especialistas em tudo. Essas três características ou, talvez melhor dizendo, linhas de ação, são se apresentam isoladamente. Elas se combinam, para produzir sempre mais e pior na mesma direção.

Um exemplo muito nítido veio de uma das revistas semanais – a pior delas, sob qualquer aspecto, a Veja – na capa desta semana. O veículo contém uma suposta matéria jornalística sobre o transporte aéreo no Brasil. A chamada da capa anuncia claramente que as passagens aéreas são baratas, que as companhias têm aeronaves novas, mas que os aeroportos são ruins. Ou seja, do lado dos prestadores do serviço, atingiu-se o nirvana, mas do lado do governo, dono dos aeroportos, há vastos pecados a serem pagos.

Afirmar que as passagens aéreas no Brasil são baratas é simplesmente uma mentira e das grandes. Basta uma breve visita ao sítio de internet de qualquer das companhias e principalmente das que compõem o duopólio reinante, a TAM e a Gol. As passagens são mais caras que em qualquer parte da Europa e da América do Norte e mais que na maior parte da América do Sul.

Quanto às aeronaves, são realmente novas. Seria o mínimo esperado de companhias com tamanhas margens de lucro, ou seja, que mantivessem frotas atualizadas. Na verdade, não fazem qualquer favor aos consumidores nesse particular. Todavia, essas maravilhas de aviões novos têm as distâncias entre as cadeiras entre as menores do mundo. Quer dizer, aviões novos e desconfortáveis.

Os aeroportos brasileiros não são o último tipo de estrutura aeroportuária do mundo, mas muito do que se percebe de ruim neles é de responsabilidade das companhias. Por exemplo, as enormes filas para fazer check-in são responsabilidade das companhias  – que economizam em funcionários e logística – e esse é o pior problema dos viajantes aéreos! A lentidão e as complicações para retirar o cartão de embarque nada têm com o aeroporto em si.

Ora, se se fizesse uma matéria jornalística séria, cujo objetivo não fosse falar mal do governo a qualquer custo e abusando de mensagens subliminares, seria necessário apontar o que cabe a quem, em cada etapa do processo que envolve uma viagem aeronáutica. Seria necessário comparar os preços no mundo, o conforto nos aviões, as margens de retorno das companhias, os índices de satisfação dos consumidores, os custos de operação aeroportuária. E uma análise desses fatores não conduziria a uma sentença peremptória de aclamação das companhias e reprovação do governo. Ambos seriam reprovados.

Por outro lado, defeitos evidentes do governo não são apontados, porque são erros que operam em favor das companhias aéreas, em detrimento dos consumidores. Por exemplo, o governo atual é conivente com o adiamento das regras sobre vôos atrasados e cancelados e sobre bagagens extraviadas. Há muito discutem-se normas que imporiam pesadas penalidades por descumprimento das obrigações contratuais assumidas pelas transportadoras aéreas. Os regulamentos estão prontos mas são continuamente adiados porque as agências governamentais sucumbem à pressão.

Trata-se, enfim, de uma parcialidade que vai até a ante-sala do ataque direto, mas não o faz porque essa imprensa, além de patife e rasteira, é também covarde. Seria mais estúpido que as próprias matérias que oferece atacar nominalmente um homem que tem aprovação de mais de setenta por cento dos cidadãos. Mas, seria também mais digno.

Suposições… E só minha verdade existe.

Fazendo algumas suposições rápidas:

Suponha que eu compre uma barra de chocolate. Essa tal barra de chocolate com a qual eu iria me deliciar, está mofada. Tudo certinho, dentro da validade, na embalagem, mas mofada… E quando eu abro a embalagem com uma baita fome, ou vontade de comer o tal chocolate, que seja, descubro o mofo, oras, há suposições possíveis aqui, posso comprar outra barra de chocolate em algum lugar, caso tenha algum dinheiro sobrando, ou esperar para comer algo que me apeteça depois (ou não), com alguma paciência e alguma raiva.

Seria lógico então que, caso andando pela rua uma outra vez, não comprasse o chocolate no mesmo lugar, ou evitasse comprar aquela marca de chocolate. Seria mesmo lógico que eu diria a conhecidos, nas situações pertinentes, que não comprassem seus chocolates naquela loja, e que tambem não comprassem determinada marca.

Bem, agora imaginando que não seja um chocolate, e sim algo de maior valor pecuniário, é aumentada a possibilidade de eu ficar com fome, certamente a depender de meus gostos, com mais ou menos paciência, e mais ou menos raiva, também dependendo do valor.

Pois se isso acontece com um carro, a minha fome será uma certeza, tendo em vista que não tenho dinheiro pra comprar nem um carro, quem dirá dois. Então se eu vou comprar um carro, e descubro ao tirá-lo da embalagem que o mesmo está mofado, pronto, fiquei sem o carro. Pois bem, vou eu dizer que não comprem naquela loja, ou avisar aos outros que não comprem carros de determinada marca. E tudo bem não? Não!

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A convalescença da Gata de Orelhas Amarelas.

A Gatinha de orelhas amareladas atingiu a maturidade sexual meio tardiamente. Passou-se quase um ano até ter seu primeiro cio. Ela sempre falou muito, quase em todas as horas, exceto, naturalmente, nas muitas em que estava dormindo. Mas, ela tinha um hábito bom. Falava muito, mas não falava alto, o que muito me agrada, porque a surdez parcial não se confunde com a tolerância ao barulho.

Eis que ela entrou no cio, pela primeira vez, há mais ou menos um mês. Pensei, não que fosse enlouquecer, mas que ficaria muitos dias sem dormir. Fiquei apenas dois. O caso é que a gata, quando está no cio, não fala, ela grita. Os miados, alternando tonalidades graves e agudas, sucedem-se a intervalos de cinco minutos, sem interrupções, a noite inteira.

Ora, eu moro em um minúsculo apartamento de 65 metros quadrados, no térreo, rodeado de vizinhos, que isso aqui é um bloco de apartamentos. Então, está claro que a gritaria da pequena felina incomodava muita gente, à noite. Não há o que fazer, além de deixar entrar um gato, o que eu faria de muito bom grado se não houvesse o problema de onde criar os consequentes gatinhos.

E incomodava-me também, com a diferença que eu suporto o incômodo, porque, afinal, ela vive aqui porque quisemos e gostamos dela. Mas, os períodos de cio têm aspectos desconcertantes. Sendo o apartamento tão pequeno, deixo a porta do quarto entreaberta, à noite, mesmo que o ar frio do condicionador escape um pouco. Não seria justo privá-la de preciosos metros quadrados em um espaço tão pequeno.

Acontece que as gatas no cio demarcam território urinando, quando estão no cio. Então, acordei algumas noites com um líquido quente a molhar o lençol e minhas pernas. A gata das orelhas amarelas tinha urinado em cima de mim, seguindo o inexorável rumo de sua natureza! Não é uma agradável maneira de acordar, às cinco da manhã, principalmente quando se é acometido de insônia. Acordo-me, vou tomar um banho, retiro os lençóis da cama para lavá-los, não consigo dormir mais e chego ao trabalho cansado.

Resolvemos, portanto, que ela se submeteria a uma castração, a uma esterectomia, para não haver mais cios. E, ontem, fez-se a operação. A coitada passou o dia inteiro deitada, prostrada, quase sem comer e beber, desequilibrada da anestesia. Dá pena e inspira cuidados. Ela quer lamber-se e morder os pontos, o que tem que ser evitado. Quer trepar nos sítios mais altos, o que não consegue pois deve doer muito.

E, acho que o pior, passados os dias iniciais, é que deverá falar menos. Isso acontece. As gatas e os gatos castrados ficam mais lacônicos, falam menos. Seremos dois, então.

O golpe militar de 1964 foi há exatamente 46 anos.

Militares reestabelecendo a democracia no Brasil.

Um texto de Andrei Barros Correia

Em 01 de abril de 1964, tropas do exército brasileiro davam um golpe de estado para depor João Belchior Goulart, presidente constitucionalmente legítimo. Há fortes indícios de que os serviços secretos das forças armadas viriam a assassiná-lo, mais de uma dezena de anos depois.

Não houve, desde a proclamação da república, em 1889, até o golpe de 1864, qualquer governo brasileiro que se tenha dedicado a alguma política que mereça o nome de esquerdista, ou seja, voltada para uma melhor distribuição das riquezas produzidas no país. Isso deve ficar bastante claro.

Houve, sim, governos, democráticos e ditatoriais, que privilegiaram grupos nacionais em detrimento de estrangeiros. Getúlio Vargas, por exemplo, no período ditatorial do Estado Novo, inaugurado em 1937, desenvolveu uma política que desagradou aos representantes dos interesses externos. Beneficiou camadas da burguesia local e, marginalmente, camadas populares.

As polarizações, no Brasil, não se davam, como não se dão, principalmente, entre ricos e pobres. Elas operavam, das classes médias para cima, entre grupos de iniciativa nacional e grupos de iniciativa externa. Em torno a esses grandes grupos, vicejavam sub-grupos de apropriadores das migalhas. De um lado, partes da burocracia estatal e de um incipiente operariado urbano, de outro, os servidores dos corretores de venda do país.

Juscelino Kubitschek, que presidiu o país entre 1955 e 1960, promoveu uma intensa industrialização do país, recorrendo a capitais externos. Nada que se aproximasse minimamente de um governo de esquerda. E cultivou a democracia, vencendo um golpe que pretendia impedir sua posse, após consagradora eleição democrática. É notável que Juscelino, simplesmente um democrata liberal, foi proscrito pelo regime ditatorial implantado em 1964. Continue reading

A justiça brasileira é muito cristã? Que tal feriado de Páscoa desde a quarta-feira para todos ou para ninguém?

A Páscoa é a época mais importante para os adeptos da religião do Galileu, pois nela celebra-se sua ressurreição. Ele terá sido morte, por crucifixão, na sexta-feira e terá ressuscitado no domingo. A Páscoa judaica é uma celebração da passagem da morte, que, entretanto, poupou os filhos de Israel.

O Galileu morreu no primeiro dia de Páscoa. Foi logo enterrado, porque não se podiam fazer funerais no dia seguinte, o principal da celebração judaica. E, no domingo, ressuscitou.

A celebração da Páscoa cristã assumiu enorme importância nos países de maioria dessa religião. Na ortodoxia, inclusive, é nitidamente mais importante que a celebração da natividade, que ocorre por ocasião do solstício de inverno do hemisfério norte. Exatamente por isso, tornaram-se a sexta feira e o domingo feriados.

Em países de maioria cristã, embora laicos, faz sentido que sejam datas comemorativas e, portanto feriados no calendário legalmente estabelecido. Todavia, deve haver alguma relação entre o intuito de celebrar a Páscoa e a condição de feriado legal desses dias.

No colosso tropical sul-americano, a Páscoa implica em feriado na sexta-feira e o domingo, esse já é legalmente dia de folga. Todavia, o poder judicial brasileiro não funciona desde a quarta-feira, diferentemente do restante dos mortais brasileiros! Serão os funcionários da justiça mais cristão que o restante da população? Enfim, essa não é uma pergunta tão boba em um país que proclama, na sua constituição, tanto a laicidade, quanto a igualdade.

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