Técnica otomana de eliminar armênios.
A partir de 1915, os turcos iniciaram um extermínio sistemático de populações armênias do Império Otomano. Estima-se que até 1923 à volta de um milhão e meio de armênios foram exterminados, como resultante de uma das linhas de ação dos Jovens Turcos. Há de se reconhecer: matar um milhão e meio de pessoas em oito anos é muito trabalhoso, embora japoneses e alemães já tenham mostrado mais eficiência nessa matéria.
No palco dos concertos internacionais, os governos turcos, desde então até hoje, negam o genocídio. Negam de maneira bastante eloquente, pois chega a ser crime, na atual Turquia, falar sobre isso. Fazer o que fizeram é brutal. Negar, afasta a hipótese de perguntar as razões. Imagino que, se um dia Constantinopla for retomada, eles, os turcos, vão se abster de ficar indagando as razões, por imperativo de coerência.
Consumado o fato, os turcos apostaram no sentido correto, por ser o mais provável historicamente. Apostaram no esquecimento que as negações e manobras para confundir quase sempre conseguem obter da comunidade internacional. Todavia, parece que o risco de se terem equivocado é bastante grande, pois os armênios, ainda que inicialmente dispersos, não se dispuseram a perder sua memória, nem a ficarem resignadamente calados.
Muito lóbi foi feito para se obter o mais importante reconhecimento do genocídio, o dos Estados Unidos da América. E resultou que o Congresso Norte-Americano está em vias de votar uma moção de reconhecimento da ocorrência do genocídio. Contudo, o Presidente Obama, por meio da Secretária de Estado Hillary Clinton, opõe-se ao reconhecimento daquilo que até as águas do Bósforo sabem.
Os Estados Unidos não querem desagradar o governo turco e, obviamente, põem acima de qualquer proclamação de uma verdade histórica seus interesses estratégicos imediatos. O Congresso, esse também pode ter dado andamento à inciativa somente para por o Presidente na difícil situação de ter que veta-la. Ou seja, o de sempre, um chantageando o outro. Naturalmente que deve haver um e outro preocupado seriamente com o reconhecimento, pois a população do mundo não é toda de conspiradores e chantagistas.
Não discuto as premências estratégicas dos Estados Unidos, que isso é assunto e interesse deles. Mas, creio que o Presidente Obama talvez pudesse tentar jogar visando mais ao futuro. Ao contrário do que sempre assume a diplomacia norte-americana, a história não é tão desimportante, nem tão fácil de esquecer. E pode estar em tempo deles tentarem, com alguma inteligência alem das bombas, diminuir os rancores que alimentam contra si.
Um dia, a vontade de retomar Constantinopla pode tornar-se a de tomar Washington, também.