Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

Autor: Andrei Barros Correia (Page 109 of 126)

Ladeira da Praça, pelos Novos Baianos.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=N4RJ18UmcSM&hl=pt_PT&fs=1&]

Se fosse por mim
Todo mundo andava sambando
Assim nesse passo passando
Porque nada mais bonito
Que um brasileiro pé duro
Representante da raça
Descendo no samba a ladeira da praça

E se você merecer
Inteira de graça ao ar livre
Inteirinha de graça
A fina figura de uma criatura
Representante de raça
Descendo no samba a ladeira da praça

Presa no espaço
Solta no ar
Nem andando, nem voando
Só sambando (sambando)

Descendo no samba a ladeira da praça
Descendo no samba a ladeira da praça

O que disse o velho brasileiro digno ao professor inglês.

Um texto de Andrei Barros Correia.

Um velho brasileiro digno acreditou que o país podia ser outro. Evidentemente, essa crença ocorreu na época própria e depois foi se esfumaçando até deixar de ser qualquer coisa, mesmo amargura. Não se desintegrou a ponto de tornar-se nada, mas aproximou-se de ser um faca só lâmina. Retraída busca de objetividade, de compreensão. Já morreram, o velho, a crença, a objetividade e a lâmina.

Um dia, vivia o país a decadência pronunciada, mas sob as nuvens do ufanismo da moda, quer dizer, da redenção liberal que então se anunciava, o velho teve ocasião de encontrar um professor inglês. O que o lente britânico fazia em uma grande e pobre cidade tropical, não sei, mas posso imaginar. São os descendentes dos pintores, botânicos, gravuristas e naturalistas europeus, que sempre vieram a esta terra exótica, de verde muito verde, azul muito azul.

A botânica e a natureza que seduziam nos XVIII e XIX, no século XX tinha-se tornado em ciência social e economia. Realmente, deve-se convir que somos um laboratório de extravagancias muito interessante a quem observe com olhos e ouvidos não viciados por ter nascido dentro do experimento.

Inconveniente desses exploradores, digo, na verdade, estudiosos altruístas, é que rápido sentem-se muito à vontade, estão muito desenvoltos. Comportam-se como donos, embora o sejam apenas parcialmente. Há liturgias e não basta deixar-se roubar pelo taxista ou pagar o jantar dos serviçais da nobreza da província para obter aceitação total e inconteste para tanta ciência social candidamente oferecida.

O caso é que a conversa avançou, cordialmente, e, pelas tantas, avançou bastante. Vocês representam um modelo de domínio anacrônico, fechado e muito violento. Sim, é verdade, concordou o velho brasileiro, que isso é mesmo verdade. Todavia, do diagnóstico, o professor inglês, com a desenvoltura própria, foi à prescrição. E o remédio era indiscutível, tinha foros de verdade, de bendição de um inglês benévolo com brasílicos cegos.

Em certa altura, já farto do que não atende por outro nome senão arrogância, o velho cortou subitamente a elocução professoral e propôs: Olhe, dominador por dominador, você está como o mais falando pro menos. Façamos o seguinte: vou pegar papel e caneta e você vai escrever de próprio punho, a língua pouco importa. Você vai dizer que a Irlanda é uma e única, católica ou protestante conforme a maioria decida e fora da soberania da sua rainha inglesa. Depois disso, a gente discute Brasil.

O professor compreendeu, o que é digno de nota porque não acontece sempre. E chegaram a jantar, cada um pagando sua conta e a falar de coisas interessantíssimas, principalmente de futebol.

22 de abril é a data comemorativa do descobrimento do Brasil, mas convém lembrar de Pinzón.

A 22 de abril de 1500, a expedição comandada por Pedro Alvares Cabral atinge a costa brasileira, na altura do que hoje é Porto Seguro, no atual estado da Bahia. Todavia, há uns episódios que devem ser considerados, embora nada tenham de desautorizadores da data comemorativa oficial.

Vicente Yáñes Pinzón era um homem rico, de Palos de la Frontera. Não se sabe precisamente a data de seu nascimento, nem o local de seu falecimento, em 1515. Em conjunto com alguns familiares, armou quatro caravelas e partiu de Palos, no princípio de dezembro de 1499. Depois de passarem por Cabo Verde, tomaram o rumo sudoeste. Em 20 ou 26 de janeiro de 1500, atingiram terra, a 8º de latitude sul, provavelmente no que hoje é o Cabo de Santo Agostinho, no atual estado de Pernambuco.

Batizaram o local de Santa María de la Consolación. Seguiram rumo noroeste, então, tendo chegado ao Rio Amazonas, que chamaram Marañón. Não há certeza quanto à descoberta do Amazonas e dizem alguns que Pinzón teria chegado ao Orinoco, na atual Venezuela.

Bignone preso. Não é de hoje que a Argentina é um país mais civilizado que o Brasil.

Reynaldo Bignone.

Reinaldo Bignone foi o último ditador do período autoritário que se encerrou em 1983, na Argentina. Ele foi presidente apenas entre 1982  e 1983. Processado, julgado e condenado à pena de 25 anos de prisão por responsabilidade na privação ilegal de liberdade, tortura e morte de 56 pessoas.

Enquanto na Argentina os ditadores vão a julgamento, no Brasil qualquer tímida ação que busque apenas conhecer a história merece ataques virulentos, sob os argumentos mais tolos possíveis. Alguma tentativa mais audaciosa, como a proposta de estabelecer a correta interpretação da lei de auto-anistia outorgada pelo regime ditatorial, merece ataques ainda mais intensos.

Contra a interpretação da lei de anistia, um ministro do supremo tribunal federal, a corte de justiça mais elevada do país, teve a ocasião de dizer que a reinterpretação poderia causar distúrbios. Mais extravagante que o ministro dizer essa tolice é o público levá-la a sério.

Na Argentina, onde sequestrou-se, torturou-se e matou-se mais que no Brasil, presidentes e militares graduados foram julgados e condenados e não ocorreu distúrbio algum. E eles tinham leis de anistia semelhantes à fancaria com número de lei que agora se pretende interpretar corretamente. Na verdade, tiveram mais de uma lei desse tipo, todas superadas por tribunais que julgam a partir do direito e não de ameaças de distúrbios.

Eco-tolice e eco-chantagem contra a Usina de Belo Monte.

O nascimento de uma pessoa é um evento lesivo ao meio ambiente, porque ela beberá água, comerá animais e vegetais, usará roupas, pouco importando que sejam naturais ou sintéticas, usará meios de transporte, ela consumirá energia, enfim. A existência de gente na terra é o único fator de dano ambiental que há. Portanto, caso se queira suprimí-lo, basta nos exterminarmos todos.

Como não há indicações de que os ambientalistas nutrem esse nível de apreço pelo meio-ambiente – ao contrário do que sugere a ferocidade do discurso – é de se pensar que a questão toda gira em torno a intervir com o menor nível de prejuízo ambiental possível. E essa nível varia conforme os objetivos a que se visam. Na verdade, não há ações ambientalmente inertes, nem aquelas que o imaginário convencionou julgar mágicas.

Poderíamos, por exemplo, erradicar toda a soja plantada no cerrado brasileiro e semear células fotovoltáicas, que seria até esteticamente superior. Teríamos o afã de energia limpa atingido, mas ao preço da fome e, talvez, de alguma insatisfação dos chineses. Com fome, talvez nem conseguísemos pagar o elevado preço dessa energia do deus de hélio, aparentemente tão gratuita.

Continue reading

Ora, mas eu pago meus impostos!

Quatro pagadores de impostos. O cão era isento.

A afirmação quase acaciana do título assumiu ares de argumento de uma parcela da população contra as reclamações de outra. A componente de obviedade revela-se, não na generalidade do pagamento de impostos, mas na generalidade dessa obrigação. Ou seja, pagar impostos não distingue as pessoas, é apenas uma obrigação legal, que não nobilita quem a cumpre.

Tornou-se hábito de muitos, querendo falar mal de qualquer reclamação dos mais pobres, dizer que se trata de desordem de quem não paga seus impostos.  Ao mesmo tempo em que se chama baderna ao reclamo, chamam-se os reclamantes de não pagadores de impostos.

Acontece que a maior parte dos que lançam mão desse argumento falso paga menos impostos que os destinatários da contrariedade, pois a tributação tem tornado-se marcantemente regressiva, ou seja, tem incidido cada vez menos sobre quem ganha mais. Tomando o consumo como base de incidência, a tributação não distingue a capacidade contributiva dos pagadores de impostos.

Então, na verdade, os reclamantes mais pobres pagam mais impostos que os defensores da ordem. Tomemos o caso de uma simples visita ao mercado, para comprar uma singela galinha resfriada. Sendo o preço fixo – e os impostos também, obviamente, – quem terá pago mais impostos, relativamente ao seu poder contributivo: o que ganha mais, ou o que ganha menos?

Rede Globo fazendo o dever de casa???

Pequeno vídeo viral da Rede Globo da campanha de Serra? Comercial dos 45 anos da Globo colocado e retirado do ar, rapidamente, cheio de mensagens subliminares da camapnha do PSDB a presidência da república. Posto no ar apenas tempo o suficiente pra causar o alvoroço característico na blogosfera… Pior que a galera acha que a Rede Globo caiu de joelhos porque o retirou do ar, enquanto na internet todo mundo só fala disso…

Resumo da ópera, a Globo só fala em Serra, a blogosfera só fala em Serra, nem todo mundo fala bem, mas é aquela coisa, falem bem ou mal, falem de mim… Deu certo. Parabéns pra Globo, aprendendo a usar novas mídias, rápido… Claro que não está de joelhos, apenas conseguiu que se fale dela, do vídeo, ou ainda da campanha de Serra, em toda mídia relativamente independente (internet?), e distribuiu seu vídeo amiúde por sites onde certamente ele não chegaria normalmente.

Caso deixasse no ar a campanha de aniversário, não aconteceria nada vezes nada, Mendes ainda é presidente do STF (tudo bem, tudo bem, nem se fosse Deus o presidente do STF, aconteceria algo com a Globo)… O vídeo eu não vou colocar aqui por motivos óbvios, é mais fácil vê-lo na internet no site de sua preferência (leia-se a favor ou contra Serra) , do que na Globo… Nem vídeo, nem link, nem nada.

Severiano Miranda.

Agora que temos dinheiro, podemos ter educação e algo mais?

Duas figuras interessantes, primeiro, o famoso PIB, Produto Interno Bruto…

Gráfico do PIB

PIB

Segundo o jornal espanhol ABC, diz o FMI que em 2014, o PIB brasileiro será o 8º do mundo… Traduzindo, estaremos atrás apenas de: EUA, China, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália. Mesmo hoje em dia, não estamos tão mal… Além desses já citados, apenas há a mais, Rússia e Espanha (A reportagem do ABC.es é pra dizer que a Espanha vai descer algumas posições).

Agora outro gráfico, com um troço chamado Paridade do poder de compra:

Paridade do poder de compra

Paridade do poder de compra

Essa tal Paridade do poder de compra é um índice que relaciona o poder aquisitivo das pessoas com o custo de vida do local onde ela mora, se ela efetivamente consegue comprar tudo que necessita com seu salário. Já dá pra enxergar o tanto de análises que se podem fazer observando os dois gráficos?

Continue reading

« Older posts Newer posts »