Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

Retrato do Brasil. O que é saúde pública para pobres.

A fotografia acima quer dizer que durante um mês, o de janeiro, não se realizarão exames médicos na rede pública de saúde, em Campina Grande, Paraíba.

Suponhamos, para alerta de quantos julgarem isso banal, a seguinte situação. Alguém tem um câncer diagnosticado. Precisa urgentemente de exames para a determinação dos parâmetros do tratamento. Sabe-se que nessas doenças o tempo é um fator essencial. Ou seja, este paciente perderia preciosos dias de tratamento por conta dessa incúria.

Isso é, sem eufemismos suavizantes, um retrato de como funcionam serviços públicos cujos usuários são as camadas mais pobres da população brasileira. Um serviço essencial é interrompido como se fosse a coisa mais trivial do mundo, que não acarretasse problema algum. E, realmente, é revelador de certa mentalidade dominante. Quer dizer, para os mais pobres os serviços públicos são prestados como se fossem um favor, não uma obrigação constitucionalmente prevista.

Convém lembrar que a Constituição brasileira prescreve a universalidade da saúde pública e a continuidade dos serviços e que, portanto, tal conduta é frontalmente contrária à lei mais importante desse país. Convém lembrar também que os recursos financeiros para os serviços de saúde – administrados pelos Estados Federados e pelos Municípios – são eminentemente repasses federais. Ou seja, o governo central repassa os dinheiros e os outros entes sentem-se à vontade para condutas deste tipo.

Às vezes é interessante recorrer à exageração para propor alguma comparação. Suponhamos, por exemplo, que a companhia de fornecimento de energia elétrica informasse ao secretário de saúde que interromperia o fornecimento por um mês, para sua residência. Ora, seria o escândalo público, repercutido diariamente nos meios de comunicação institucionais.

4 Comments

  1. maria josé

    Lamentável ,e assim acontece em vários lugares no nosso pais.

  2. Andrei Barros Correia

    Porque triunfa a idéia – embora nunca confessada abertamente – de que serviços para pobres podem ser ruins.

  3. Jose

    O pior é que quem está no meio destas ações nefastas acha tudo muito normal. É uma coisa comum….

  4. Andrei Barros Correia

    As classes médias não perceberam que o desprezo delas pela ineficiência da saúde e da educação publicas é o mesmo que os muito ricos tem pela ineficiência de serviços e no trânsito, por exemplo.

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