A Poção de Panoramix

Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

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O terrorismo patrocinado pelos EUA.

Um documento da CIA, da unidade Red Cell, foi vazado na Wikileaks – http://wikileaks.org. Não é propriamente revelador, mas é totalmente confirmador de algo sempre sabido e sempre negado. Os EUA são a origem de muita atividade terrorista e, para consumo interno das altas esferas, trata do assunto com todos os nomes, sem a hipocrisia usual do discurso para o público geral.

Diz o documento, entre outras coisas, que “… ao contrário do senso comum, a exportação americano de terrorismo ou terroristas não é um fenômeno recente, e nem tem sido associado unicamente a radicais islâmicos ou pessoas de origens étnicas do Oriente Médio, África ou Sul da Ásia.”

Segue, nesta deliciosa linguagem direta que eles usam entre si: “… esta dinâmica desmente a crença americana de que nossa sociedade multicultural livre, aberta e integrada diminui o fascínio dos cidadãos americanos pelo radicalismo e pelo terrorismo.”

Fatos relatados no documento, sem as precariedades de uma tradução livre:

In November 2008, Pakistani-American David Headley conducted surveillance in
support of the Lashkar-i-Tayyiba (LT) attack in Mumbai, India that killed more than
160 people. LT induced him to change his name from Daood Gilani to David Headley
to facilitate his movement between the US, Pakistan, and India.


– Some American Jews have supported and even engaged in violent acts against
perceived enemies of Israel. In 1994, Baruch Goldstein, an American Jewish doctor
from New York, emigrated to Israel, joined the extremist group Kach, and killed 29
Palestinians during their prayers in the mosque at the Tomb of the Patriarchs in
Hebron which helped to trigger a wave of bus bombings by HAMAS in early 1995.


–  Some Irish-Americans have long provided financial and material support for violent
efforts to compel the United Kingdom to relinquish control of Northern Ireland. In the
1880s, Irish-American members of Clan na Gael dynamited Britain’s Scotland Yard,
Parliament, and the Tower of London, and detonated bombs at several stations in
the London underground.In the twentieth century, Irish-Americans provided most of
the financial support sent to the Irish Republican Army (IRA). The US-based Irish
Northern Aid Committee (NORAID), founded in the late 1960s, provided the
Provisional Irish Republican Army (PIRA) with money that was frequently used for
arms purchases. Only after repeated high-level British requests and then London’s
support for our bombing of Libya in the 1980s did the US Government crack down on
Irish-American support for the IRA.

Lula e a imprensa: o episódio da Folha de São Paulo em 2002.

Lula é um sujeito muito inclinado à conciliação, muito tolerante. É tratado impiedosamente por amplos setores da imprensa brasileira, nomeadamente pela Folha de São Paulo, pela TV Globo – e sua revista semanal de péssima qualidade, a Época, e pela editora Abril e sua revista abaixo da crítica, a Veja.

Apesar de ter sido alvo de ataques constantes, pessoais, e muitas vezes vis, quase sempre fundados em suposições e opiniões travestidas em matérias jornalísticas, nunca partiu para o ataque contra essas extensões dos partidos de oposição atuantes sob o nome de imprensa.

Parece que perdeu a paciência com esses senhores que se escondem sob uma afirmada e inexistente imparcialidade jornalística. Em comício na cidade de Campo Grande, no Estado do Mato Grosso do Sul, o Presidente contou um episódio revelador.

Disse que em 2002, antes das eleições presidenciais, foi almoçar na Folha de São Paulo. E que, na ocasião, o dono do jornal, Otávio Frias Filho, perguntou a ele se sabia falar em inglês. E emendou perguntando como ele queria ser presidente sem saber falar em inglês! Ele, Lula, respondeu ao Frias perguntando-lhe se alguém cobrava do Bill Clinton o fato dele não falar português. Disse que tinha ido lá almoçar, não dar entrevistas, e retirou-se. Esse é o Presidente do Brasil com aprovação popular de 70%, muito merecidos, por sinal.

A Portugal, de Jorge de Sena.

Sena teve as razões dele, claro. Dele e de um tempo dele. É amaríssimo o poema abaixo.

Esta é a ditosa pátria minha amada.
Não, nem é ditosa porque o não merece,
nem minha amada, porque é só madrasta
nem pátria minha, porque eu não mereço
a pouca sorte de ter nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
Quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela
Saudosamente nela,
Mas amigos são por serem meus amigos
e mais nada.
Torpe dejecto de romano império,
Babugem de invasões,
Salsujem porca de esgoto atlântico,
Irrisória face de lama, de cobiça e de vileza,
De mesquinhez, de fátua ignorância.
Terra de escravos, de cú para o ar,
Ouvindo ranger no nevoeiro a nau do Encoberto.
Terra de funcionários e de prostitutas,
Devotos todos do Milagre,
Castos nas horas vagas, de doença oculta.
Terra de heróis a peso de ouro e sangue,
E santos com balcão de secos e molhados,
No fundo da virtude.
Terra triste à luz do Sol caiada,
Arrebicada, pulha,
Cheia de afáveis para os estrangeiros,
Que deixam moedas e transportam pulgas
(Oh!, pulgas lusitanas!) pela Europa.
Terra de monumentos
em que o povo assina a merda
o seu anonimato.
Terra-museu em que se vive ainda
com porcos pela rua em casas celtiberas.
Terra de poetas tão sentimentais
Que o cheiro de um sovaco os põe em transe.
Terra de pedras esburgadas,
Secas como esses sentimentos
De oito séculos de roubos e patrões,
Barões ou condes.
Oh! Terra de ninguém, ninguém, ninguém!
Eu te pertenço.
És cabra! És badalhoca!
És mais que cachorra pelo cio!
És peste e fome, e guerra e dor de coração!
Eu te pertenço!
Mas seres minha, não!

Antigas e novas andanças do demônio, de Jorge de Sena.

Gosto muito de contos, que reputo um gênero difícil. Ele não admite facilmente o razoável, oscila entre o bom e o ruim, é traiçoeiro com escritores mal-dotados.

Achei de conhecer Jorge de Sena, muito tardiamente, pelos contos reunidos nas Antigas e novas andanças do demônio. As diferenças entre as duas partes do volume são nítidas, até porque eram dois livros diferentes. Posteriormente, o autor resolveu publica-los juntamente em um só livro.

Ele escreve prosa como um poeta. Não que traga consigo uma métrica que sempre insinue a poesia, mas que se percebe ser principalmente poeta. Um prosador que não faz poesia também tem um caráter singular, que se percebe. Todavia, é muito interessante notar isso em um autor lusófono, porque nesta língua poucos são os que não escrevem nas duas formas.

Algumas coisas nas andanças do demônio, alguns contos, enfim, lembraram-me Guy de Maupassant, o maior contista que já li. Há um traço de extraordinário lúcido e, ao mesmo tempo, apaixonado. Há uma profunda erudição e conhecimento histórico em linhas simples, concisas e quase herméticas.

Houve uma lembrança de algo que fazia quatorze anos que ouvi. Uma estória, ou um mito, que é cara à gênese do cristianismo está mencionada no conto A noite que fôra de natal. Um mito ou episódio caro a esta gênese, mas pouco falado e relativamente pouco conhecido. Plutarco conta o episódio.

Um autor que a ponha em ficção, em um formato menor que a novela ou o romance, com resultado bom, é um autor invulgar. O grande Pã morreu, dizia-se no Egeu. Dizia-se, ou antes ouvia-se, em vozes cavas, chorosas, vozes sem falante, que os pescadores ouviram.

Essas vozes falaram-se ou ouviram-se na época em que Tibério era Imperador. Época que se convencionou dizer do nascimento de uma nova religiosidade e morte de uma anterior. Ninguém sabe se foram mesmo faladas e se foram ouvidas. Não chegou a ser constatado, embora Tibério tenha ordenado investigações.

Uma estória dessas, pouco importa que seja verdadeira ou falsa. Falar dela em ficção importa talento.

A Carta Testamento de Getúlio Vargas.

Em 24 de agosto de 1954, há cinquenta e seis anos, portanto, Getúlio Vargas suicidava-se. A mesma gente que o levou a matar-se, tumultuou o governo seguinte, de Juscelino. Levou Jânio a tentar um golpe antes de sofrê-lo. Deu um golpe em João Goulart. Instalou uma ditadura de 21 anos no Brasil. Desfez essa ditadura, pondo em seu lugar uma democracia que devia ser sem povo. E, agora, morre de raiva de Lula e da próxima vitória da candidata apontada por ele.

Segue a carta:

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao Governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário-mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

Assumi o Governo dentro da aspiral inflacionária que destruía os valores de trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Na declaração de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater a vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta.

Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto, O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

Getúlio Vargas.

A falácia da oposição entre desenvolvimento e preservação urbana.

Palácio Monroe, antiga sede do Senado, no Rio de Janeiro.

Palácio Monroe, antiga sede do Senado, no Rio de Janeiro.

Cinelândia, o que se pôs no lugar do Palácio acima

Cinelândia, o que se pôs no lugar do Palácio acima

As oposições ou dicotomias tornaram-se modas. Utilizá-las passou a ser acreditado como algo a conferir ao teórico ares de ser ponderado e sábio. É um pouco a resultante de acreditar-se no mito da balança, em que um lado desce quando se põem pesos no outro.

Mas, esse mito cai por terra se retirarmos das condições ambientes a lei da gravidade. Então, os dois lados podem ficar estáveis com pesos diferentes, o que já está a parecer suprema contradição, ou devaneio.

Bem, o fato é que opõem o progresso, o desenvolvimento, ou qualquer termo que se utilize, à preservação. Falo aqui de arquitetura e ordenamento urbanos. Assim, destruir seria a indesejável porém inescapável condição para construir algo novo. De início, percebe-se que a coisa implica grandes julgamentos, porque nada indica que o novo seja preferível ao velho, nem em tese, nem em prática.

E nada indica que o novo implique a destruição do velho, até porque não são, novo e velho, necessariamente coincidentes no espaço. O novo pode estar ao lado do velho ou mesmo mais afastados um do outro podem estar. Podem estar de várias formas, mas não podem estar no mesmo espaço, porque aí um pede a extinção do outro.

As pessoas guiam-se por esse determinismo, além de coisas mais bobas ainda, de que não evitarei falar. Elas querem retirar algo para pôr no mesmo lugar outra coisa, ou mesmo coisa nenhuma, porque acham que o que se vai pôr é progresso ou desenvolvimento. Mas, por quê é?

No caso de uma cidade que não se veja comprimida por limites naturais quase intransponíveis – como seriam altas montanhas ou caudalosos rios – o que impede que o novo se faça à margem do velho? Na verdade, somente a conveniência, no sentido de preguiça física e mental, é que impede a preservação de algum patrimônio arquitetônico e urbanístico. A preguiça de afastar-se um pouco de si e do centro.

Deve ter passado pela cabeça de um de outro botar abaixo a Igreja de Nossa Senhora, na Île de la Cité, para, no espaço desocupado, fincar um vistoso edifício de 30 pavimentos, todo revestido de vidros azuis espelhados. Certamente passou pela cabeça de pouquíssimos essa idéia, pois a igreja lá está e os prédios estão em outros bairros. Continuou uma e fizeram-se as outras edificações.

Antes que alguém acuse-me de enorme exageração, explico logo que ela foi proposital. Porque a despeito do exagero, as comparações são possíveis, são quase sempre possíveis para desespero de quem não compreende que a variação limita-se à precisão e à pertinência delas.

A variação da qualidade estética e da abundância quantitativa dos patrimônios arquitetônicos é imensa. Há cidades riquíssimas, de muitas belezas e há delas pobres, de escassas manifestações de beleza arquitetônica, tanto em número, como em qualidade. Nessas últimas, o pouco é ainda mais precioso.

Uma casa opulenta de residência em estilo art déco tardio, onde há meia dúzia delas, é mais preciosa que a mesma inserida em um conjunto de mil. E um edifício de 30 pavimentos, revestido em vidros azuis espelhados, também tardio, pode ser fincado em vários sítios, não sendo necessariamente e divinamente predestinado a estar onde um dia esteve uma das seis casas. Até porque – e isso esquecem-no os modistas do progresso – a aceleração desse mesmo progresso implicará que edifícios espelhados haverá muito mais que casas art déco, independentemente do valor estético de cada um.

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Fetichismo burocrático.

O serviço público é aquilo que o Estado, direta ou por interposta empresa privada, obriga-se a oferecer às populações. Sua finalidade geral é prover alguma utilidade aos utilizadores, na medida em que as leis a previram. Pode consistir em um serviço de resolução de conflitos – o que se chama com suprema arrogância justiça – em um serviço de limpeza urbana, em um serviço de prestação de apoios sociais ao mais necessidades. Pode, enfim, ser de várias maneiras, desde que vise a uma finalidade pública.

Uma parte significativa dos serviços públicos é prestada diretamente pelo Estado que, para tanto, mantém quadros de funcionários a seu soldo e organizados em vários compartimentos especializados, consoante o tipo de serviço que devem prestar. Como qualquer atividade, o serviço público tira proveitos e ganha eficiência se adotar métodos e rotinas de organização do trabalho.

Esses métodos e rotinas são meios de atingir os fins mais amplamente, com menos dispêndio. Não é pouco o que os meios significam como instrumentos que são. Todavia, qualquer que seja sua importância, não são mais que instrumentos e assim não se confundem com as finalidades.

A confusão dos meios com os fins, elevando-se os primeiros à categoria dos segundos, é uma deformação. É algo muito comum e, por isso mesmo, já tornou-se inclusive motivo de piadas. O que enseja a piada é a autoreferência que a glorificação dos meios no serviço público revela. Não todos, mas muitos ocupantes de funções públicas parecem crer que essas funções existem para que eles as ocupem, não porque deve-se oferecer um serviço.

Daí para o excesso fetichista são poucos passos. Para regressar é que a coisa torna-se mais complicada, porque o vício tem raízes de árvore grande, daquelas que só as tempestades arrancam do solo.

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José Serra: deslealdade e inverdade.

O candidato à presidência José Serra é opositor do Presidente Lula. Este lançou e apoia a candidatura de Dilma Roussef, que foi ministra da Casa Civil, o mais poderoso ministério do governo brasileiro. Dilma Roussef está na frente em todas as pesquisas de intenções de votos e deve mesmo ganhar as eleições de outubro.

O candidato José Serra representa o modelo oferecido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e a candidata Dilma representa o que foi oferecido por Lula, isso é uma maneira inevitável de ver as eleições próximas. Ora, o governo de Fernando Henrique terminou mal avaliado e o de Lula termina muito bem avaliado.

O que faz José Serra? Faz um jogo de impostura e dissimulação e chega ao ponto de por imagens de Lula na sua propaganda eleitoral televisiva! Serra quer dizer que não é quem é. Quer dizer que está próximo a Lula, embora sempre tenha-se oposto a ele e tenha deixado ou estimulado que pessoas próximas a ele fizesse constantes acusações de baixíssimo nível contra o Presidente.

Serra devia colocar no seu programa imagens de Fernando Henrique, de quem foi ministro duas vezes e de quem é próximo desde há muito. Devia pô-las e defender o governo de Fernando Henrique, se conseguir encontrar aspectos defensáveis.

Realmente, agindo desta forma, Serra aumenta a percepção de que é destituído de escrúpulos, como diz Ciro Gomes enfaticamente. E de que é dissimulado e não merecedor de confiança. Com relação a confiabilidade e a limites, tem-se o eloquente exemplo de seus companheiros de partido Aécio Neves e Geraldo Alckmin, que já experimentaram a deslealdade que as ambições imediatas de Serra acarretam.

Nenhum dos dois utiliza muitas imagens ou referências a Serra em suas campanhas, embora sejam do mesmo partido. No caso de Aécio Neves, candidato ao Senado por Minas Gerais, ele, na verdade, não fala, nem pede votos para José Serra. Comporta-se quase como se não houvesse uma eleição presidencial daqui a dois meses.

Além de ser objetivamente ruim alinhar-se politicamente a Serra, ou seja, é algo que não acrescenta votos, ninguém sente-se ligado a ele por deveres de fidelidade, exceto grande parte da imprensa e alguns políticos menores que vivem de favores imediatos.

José Serra daria uma contribuição ao processo democrático se assumisse claramente o que é e o que representa. Se defendesse o governo e as idéias a que serviu longamente. Se defendesse um rol enorme de privatizações feitas a bem dos grandes grupos, apenas. Se defendesse a redução dos programas sociais de inclusão. Se defendesse a intolerância com pessoas de outras regiões do país.

Se defendesse claramente a subserviência aos interesses externos e a tese de que o Brasil está fadado, deterministicamente, a ser subdesenvolvido. Se defendesse o abandono a todas as alianças de sucesso com outros países sul-americanos. Se defendesse a abolição dos esforços diplomáticos brasileiros como país relevante no canário mundial.

Enfim, José Serra devia ser o que é, ao invés de abandonar-se à infâmia de ser um feroz opositor que usa oportunisticamente as imagens daquele a quem se opõe.

Campina Grande: o Palácio do Bispo.

Esta bela casa é conhecida como o Palácio do Bispo e situa-se na Av. Barão do Rio Branco, na zona central da cidade. Atualmente, abriga o gabinete do Prefeito Municipal.

Devo dizer que busquei, com alguma insistência, informações sobre a história do palacete, na internet. Não encontrei, nem no site da Prefeitura, nem no site da Cúria Diocesana, nem em qualquer outro. Claro que posso ter procurado mal. Enviei uma mensagem de e-mail para a Diocese, pedindo alguma informação sobre a história do palacete, caso dela disponham.

O edifício foi realmente sede episcopal do bispado de Campina Grande, instalado em 1949. É possível ver, na grade da porta central, um brasão com motivos eclesiásticos, nomeadamente uma cruz e uma mitra. Não sei se foi edificado para ser a sede episcopal, o que, em caso positivo, dataria o prédio dos finais da década de 1940.

De qualquer forma – ou seja, quer tenha sido feito para ser a sede episcopal, quer tenha sido feito antes – nada indica que seja mesmo anterior a 1940. O prédio tem um estilo eclético com alguns elementos classicizantes tardios, como as colunas e o balcão adiantado do segundo pavimento.

Nas décadas anteriores, de 1900 a 1930, passou-se pelo classicizante, pelo eclelético e pelo art déco, mas quase sempre em edificações de um pavimento e de maior pureza estilística. O estilo do palacete realmente não tem outros representantes na cidade, embora não seja formalmente complexo, o que se percebe, por exemplo, nas janelas e na quase ausência de elementos decorativos externos.

Não é uma casa pequena e tem recuos frontal e laterais, ou seja, encontra-se em um terreno grande. Significa que foi obra cara. Por exemplo, pode-se constatar que a sede diocesana de Recife, o Palácio dos Manguinhos – embora anterior e mais complexo arquiteturalmente – é um edifício do mesmo porte, ou até menor que o Palácio do Bispo em Campina Grande.

Bem, quando obtiver mais informações, volto ao Palácio do Bispo com menos conjecturas, ou talvez com suposições mais fundamentadas. O fato é que o prédio é bonito, bem proporcionado e encontra-se salvo da sanha demolitória!

A diversificada e harmônica economia do Canadá.

Três seres tranquilos.

A polícia montada do Canadá descobriu, na Colúmbia Britância, a 500 quilómetros de Vancouver, um curioso exemplo de dinamismo econômico-ambiental. Harmonia de produção agrícola, proveitos econômicos e integração com os animais.

Trata-se de uma plantação de maconha protegida por quatorze ursos pretos. A polícia, no princípio, aproximou-se cautelosamente, temendo os grandes mamíferos. Todavia, rapidamente percebeu-se que os ursos eram criaturas simpáticas e amistosas. A dona do cultivo os teria acostumado com ração para cães e verduras! Bem, talvez houvesse outros vegetais na dieta desses ursos, em um modelo auto-sustentável de agricultura.

O fato é que a região é muito adequada ao cultivo, porque apresenta temperaturas moderadas e boa pluviosidade. Realmente, parece que o negócio é bom e desempenha papel destacado na economia da região. Leio que segundo a revista BC Business a produção canábica na região movimenta U$ 7,5 biliões e gera 250 mil empregos e consiste no segundo maior setor da economia da zona.


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