A Poção de Panoramix

Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

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Kyrie da Misa Criolla, de Ariel Ramirez.

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Morreu Ariel Ramirez, compositor, entre várias outras, da grande obra que é a Misa Criolla. O grupo Los Fronterizos cantou-a desde o início. No vídeo, cantam um trecho do Kyrie, no filme Argentinisima, de 1973.

Há, de fato, uma Argentina que, embora católica, não é propriamente branca, castelhana, italiana ou inglesa. É muito indígena e está para além de Buenos Aires.

Meu Tio, filme de Jacques Tati, de 1958.

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O primeiro vídeo é um pequenino trecho do início deste magnífico filme e permite ouvir a música tema, que será repetida várias vezes. Essa melodia nunca me saiu da cabeça, simples e delicada.

Desconheço outra oportunidade em que a modernidade, como objetivo em si, tenha sido mais atroz e poeticamente ridicularizada que nesta obra de Tati, vencedora de Cannes, em 1959.

Não é sem razão lembrar que Jacques Tati era desprezado pelos diretores autoproclamados sérios e intelectualmente engajados, que pululavam na França pagadora de tributo a uma certa chatice sartreana.

Sugiro que se veja o filme e que se repare numa das cenas finais, que está no segundo vídeo. Hulot – a personagem principal – vai no carro do cunhado a algum sítio. Dentro do automóvel estão Hulot, o sobrinho e o pai deste. O cunhado é o capitão de indústria daquela França em reconstrução, ávida em marchar para o progresso. O carro do cunhado, de último tipo, é o símbolo máximo da modernidade.

Pelas tantas, Hulot quer acender seu cachimbo e não consegue fazê-lo com fósforos. O cunhado aponta a solução tecnológica, o acendedor elétrico do carro. Hulot, nem impressionado, nem resistente, pega do acendedor, tira os primeiros fumos do cachimbo, balança o acendedor como um fósforo e o deita fora pela janela, como a um fósforo…

Urubu tá com raiva do boi. Baiano e os Novos Caetanos.

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Já houve humor realmente satírico no Brasil. O alvo de Baiano e os Novos Caetanos é demasiado evidente. A Tropicália, Caetano Veloso e a filosofice de obviedades e vacuidades lançadas como grandes conclusões.

O Grupo era formado por Arnauld Rodrigues e Chico Anysio. Ontem, morreu Arnauld, cantor, humorista e ator.

Essa música, humorística, é uma pequena amostra de genialidade. O urubu tá com raiva do boi / e eu já sei que ele tem razão / é que o urubu tá querendo comer, mas o boi não quer morrer / tá sem alimentação.

Cria corvos e eles te comerão os olhos.

Esse é um provérbio ibérico – português e espanhol – e até deu nome a um filme de Carlos Saura. Se o Departamento de Estado Norte-Americano atentasse às coisas das diversas culturas, esse provérbio, por exemplo, talvez errasse menos.

A diplomacia estadounidense especializou-se em fomentar os problemas que ela própria teria de enfrentar, mais adiante. Se é burrice ou cálculo, não sei, mas é verdade.

Depuseram Mossadegh, no Irão, para lá pôr o Xá Pahlavi, usurpador dócil aos interesses petrolíferos estrangeiros. Resultou na revolução islâmica, fortemente contrária aos interesses norte-americanos na Pérsia.

Financiaram o Taleban, uma quadrilha conhecida, para dar trabalho aos russos no Afeganistão. Resultou, sim, na saída dos russos do Afeganistão. E, também, nos atuais problemas, já que a banda Taleban voltou-se contra os norte-americanos.

Criaram Sadan Hussein, para dar trabalho aos iranianos. Antes, os britânicos já tinham criado esse artificialismo que é o Iraque. Resultou no que se tem visto por lá, desde há vinte anos.

Algum dia eles estudarão história, ou assim está mesmo bem, porque atuam calculadamente a favor do caos, do saque e da venda de armamentos?

Hillary Clinton está preocupada com o Irã. Ela diria exatamente porquê?

No Catar, a senhora Rodham Clinton, Secretária de Estado dos Estados Unidos da América, disse estar preocupada com a democracia iraniana. Dito assim, tão repentinamente e em companhia de monarcas árabes, deve-se convir que soou estranho a quem se ponha a pensar um pouco.

Na fotografia acima, por exemplo, a Secretária de Estado encontra-se na democrática companhia do monarca da Arábia Saudita. Não consta que ela tenha apresentado alguma objeção a esta forma tão democrática  que é a monarquia da Península Árabe,  inaugurada pelo afã britânico de conformar esse espaço aos seus interesses petrolíferos.

Não consta, tampouco, que Hillary Clinton tenha qualquer interesse na instalação do se convencionou chamar democracia nesses emirados arábicos, muito embora seja possível que os habitantes deles queiram votar!

Com quê, então, está preocupada a Secretária de Estado?

O colapso da Grécia e o traficante que financia o drogado.

Vem a público, por meio do Wall Street Journal, que o Banco Goldman Sachs ajudou a Grécia a disfarçar seus débitos públicos. Quer dizer, forneceu à Grécia serviços parecidos aos de branqueamento de capitais, que todos os bancos fazem. Com vários débitos públicos artificialmente alongados, os gregos conseguiram burlar as regras da UE para essa matéria.

Agora, são os mesmos prestadores desses serviços que põem a faca no pescoço do governo grego, para que este a ponha nos pescoços dos cidadãos gregos. O ideal seria que todos tivessem uma faca nos seus pescoços, inclusive os bancos, que fizeram parte da festa!

Fica evidente que a atuação dos grandes financistas é semelhante à de traficantes de drogas ilícitas que financiem os próprios dependentes. Quando algum problema torna-se público, o traficante alinha-se com a repressão e todos punem o consumidor! Grande mecanismo de sociabilização de custos chamado solenemente de responsabilidade fiscal e obediência às leis.

Samba Saravah. Mais antídoto ao Axé.

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Baden Powel e Vinicius de Moraes compuseram o Samba da Benção. Depois, Pierre Barouh, o francês mais brasileiro da França, adapta a letra ao gaulês e chama de Samba Saravah. Fica muito boa esta adaptação, perde-se pouquíssimo na letra e, na sonoridade perde-se nada.

Em 1966, Claude Lelouch faz Un Homme et Une Femme, um filme que, se não é arte de alto nível, pelo menos não faz mal a quem o vir. E lá está o Samba Saravah. São as cenas desse vídeo.

Há uma versão cantada por Elis Regina que é esplêndida, mas não se encontra de jeito algum.

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