Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

Autor: Andrei Barros Correia (Page 101 of 126)

Saramago morreu.

José Saramago, já velho.

Um homem sóbrio. Morre sobriamente, em casa, aos 87 anos.

Há vinte anos, deparei-me com dois livros dele, na casa de minha avó. Eram O evangelho segundo Jesus Cristo e A história do cerco de Lisboa. Não me produziram uma imensa sensação de descoberta literária. Alguma surpresa com a forma, alguma satisfação com a abordagem.

Pus-me a ler tudo quanto encontrasse de Saramago há pouco tempo. E gostava de iniciar a leitura de um depois de terminar a de outro livro. Sempre fica a parecer que o estilo cria alguma familiaridade e que os livros todos são um. E acredito que sejam.

Não consigo dizer de outra maneira, embora vá soar ingênuo. O homem parece que não se vendeu. É isso, não se vendeu; dizer que era coerente é simples, pouco.

Acho que seduzi-me pelos livros do Saramago pelos por quê. E não acho que sejam por quê existenciais, mas mais ao rés-do-chão.

Há um ano, mais ou menos, descíamos, Olívia e eu, da Lapa a São Bento. Podíamos tomar o metro, mas resolvemos caminhar. Boa decisão, pois breve voltaríamos e o pequeno deleite de caminhar tornaria a ser interditado. Chegamos aos Aliados e lá estava a Feira do Livro do Porto.

Andamos a ver uns livros e, pelas tantas, Olívia ouviu anunciar que às cinco e meia José Saramago estaria lá e autografaria livros. Ficou entusiasmada e eu disse que era melhor averiguar, que podia ter escutado mal. Quem escuta mal, como eu, sempre cogita essa possibilidade. Mas, tinha ouvido bem, Saramago estaria ali mesmo.

Formou-se uma fila que logo estaria imensa. Olívia comprou dois livros e ofereceu-me um: Manual de Pintura e Caligrafia. Agora mesmo fui apanhá-lo na estante e vi a data precisa, escrita por ele, assim: 2.VI.2009

À nossa frente havia uns jovens eufóricos. Eram estudantes e alguns eram brasileiros. Fosse o Saramago ou a Madonna quem eles iam ver em breve, acho que dava no mesmo. O velho escrevedor perceberia esse entusiasmo que não era de letras, mas de gente conhecida. Percebeu melhor ainda porque um dos rapazes fez alguma pergunta que não se referia a livros. Olívia deve lembrar que pergunta foi, mas eu não lembro, não escutei.

Lembro que Saramago reteve o rapaz e, com um ar de muito cansado, perguntou-lhe se já tinha lido algum livro seu! Pergunta gentil, cansada e sem precisar de resposta.

Chegou minha hora de entregar-lhe o livro para autografar. Um aperto de mãos, boa tarde, boa tarde, obrigado.

Continuarei a pintar o segundo quadro, mas sei que nunca o acabarei. A tentativa falhou, e não há melhor prova dessa derrota, ou falhanço, ou impossibilidade, do que a folha de papel em que começo a escrever: até um dia, cedo ou tarde, andarei do primeiro quadro para o segundo e depois virei a esta escrita, ou saltarei a etapa intermédia, ou interromperei uma palavra para ir pôs uma pincelada na tela do retrato que S. encomendou, ou naquele outro, paralelo, que S. não verá.

Argentina: futebol ofensivo e talentoso não morreu.

Higuaín.

Que sigam os adeptos do Deus Itália seu rumo. Mas, não decretem precocemente a morte do futebol ofensivo, baseado no talento, no toque de bola, na velocidade. Tampouco lancem mão desse lugar-comum terrível da relação necessária entre tática ofensiva e fragilidade defensiva.

A Argentina venceu a Coréia do Sul por 4 gols a 1 e podia ter marcado mais. Com relação à primeira partida, a equipe argentina evoluiu. Pareceu-me menos dependente de Messi, na medida em que, hoje, Di Maria e Tevez deram grandes apresentações.

Se vão ser os grandes vencedores, ou não, pouco me importa. Espero que sigam até as finais, porque oferecerá bons espetáculos.

Viva Argentina!

A equipe argentina estreou no mundial, vencendo a Nigéria por um gol a zero. As duas equipes jogaram bem, mas a Argentina mostrou uma grande qualidade no toque de bola. E jogaram um futebol aberto, franco, bonito de se ver.

É engraçado – depois de superada a repugnância inicial – observar a evidente torcida contrária à Argentina dos locutores da Rede Bobo de televisão. Não tenho alternativas a ela e vejo as partidas com o mínimo volume de som possível. Eles assumiram uma postura anti-argentina evidente e até ridícula. Acho que têm raiva de Maradona, como têm de todos que pensarem com as próprias cabeças e não os reputarem os emissários de Deus na terra.

Ainda mais terrível é que a propaganda anti-argentina, patrocinada pela Rede Bobo, surte efeitos nos seus espectadores, claro. E as pessoas passam a achar que uma opinião é um dado objetivo. Ou seja, passam a confundir sua contrariedade à Argentina com a crença de que eles andam a jogar mal.

É daí que vêm as surpresas, ou seja, da ignorância de confundir o que se quer que seja com o que pode ser. Suponhamos que os argentinos terminem por ser os maiores vencedores. Resultará em milhares de brasileiros atônitos, sem compreender como aqueles seres desprezíveis afinal venceram.

Entreguistas contra nacionalistas. Esta é a dicotomia política fundamental brasileira.

Fiz questão de utilizar o adjetivo fundamental, no título, para deixar evidente que há outras díades notáveis nos antagonismos políticos. Todavia, o corte entre nacionalistas e entreguistas é o mais nítido e profundo que há. Desde a metade do século XX até hoje, todos os conflitos políticos brasileiros podem ser vistos sob a perspectiva dessa díade, embora, evidentemente, possam ser vistos por vários outros prismas e modelos de compreensão.

As expressões consagraram-se no vocabulário político a partir da questão do petróleo brasileiro. A divisão estabeleceu-se entre os partidários da exploração pela companhia estatal Petrobrás, criada por Getúlio Vargas com esse propósito, e partidários da exploração a partir dos capitais e empresas transnacionais. Essa foi uma enorme fratura político-ideológica.

As circunstâncias históricas do ocorrido foram determinantes para sua complicada inserção na lógica política bipolar da guerra-fria. O Brasil estava no quintal dos Estados Unidos da América e seguia sob seu domínio. Qualquer desvio de conduta tendente a contrariar os interesses norte-americanos era acusado de inclinação comunista.

Ora, a questão do petróleo, rigorosamente falando, não dividia as posições entre capitalistas e comunistas, mas entre nacionalistas e entreguistas. Nada obstante, este último grupo fez da questão uma dicotomia ideológica que ela não revestia e tentou fazer dos nacionalistas comunistas. Não era disso que se tratava, todavia, mas de autonomia nacional frente a dependência externa pois, de fato, nunca houve qualquer risco de tornar-se o Brasil seguidor de alguma variante do bolchevismo.

Figuras insuspeitas de professarem algum comunismo eram adeptos claros da exploração nacional do petróleo e de outros minerais estratégicos. Eram-no por um evidente nacionalismo de direita, mas o discurso então oposicionista chamava a isso de comunismo! É perfeitamente compreensível, na medida em que o suporte em que se apoiavam não podia ser outro: para serem contra os governos, notadamente de Vargas, de Kubitschek e de Goulart, tinham que contar com o apoio norte-americano.

Uma questão difícil de investigar são os verdadeiros móveis das figuras proeminentes do entreguismo, tanto as civis, quanto as militares. Até que ponto acreditavam no entreguismo, até que ponto julgavam válida a cretina idéia de que o nacionalismo de direita era comunismo e até que ponto agiam como simples corretores a soldo dos norte-americanos? É difícil até porque os subornos costumam ser mal documentados.

Raramente um e outro motivador age sozinho, para desespero de quantos buscam causas únicas, claras, isoladas. As coisas terminam conspirando para dificultar a compreensão e misturam-se todos os fatores. As abordagens que se pretendem racionalistas costumam negar às figuras proeminentes e aparentemente mais bem dotadas intelectualmente as motivações fanáticas, puramente inspiradas na propaganda, mas convém ser menos cético.

O caso da histeria contra o comunismo é bastante revelador. Porções das classes dominantes civis e militares, que se forjaram na oposição a Vargas, viam em tudo que fosse uma contrariedade aos interesses norte-americanos a marca do comunismo, mesmo que ignorassem profundamente o que fosse propriamente comunismo e seus aspectos políticos e econômicos. E pareciam também ignorar o que era e é a base teórica do liberalismo político clássico: a democracia eletiva.

Acostumamo-nos a confundir racionalismo com mercantilismo ideológico e, assim, passamos ao largo do que parece impossível se não se motivar apenas na compra-e-venda de opiniões e posições. Todavia, as crenças e o fanatismo existem, sim, e são até mais fortes que a posição comprada. Como as idéias gratuitas tendem a parecer simples adesões àlguma tolice, reputamo-las inexistentes.

Parece-me que a necessidade de dissociar causas conduz à eleição de apenas uma e outra, quando, na verdade, elas costumam andar juntas e bem misturadas. Ademais, não se excluem necessariamente. Se é verdade que muitos dos oposicionistas ao nacionalismo brasileiro das décadas de 1940, 1950 e 1960 agiam por terem-se seduzido pela propaganda norte-americana, também é verdade que muitos agiam seduzidos pelo dinheiro norte-americano.

Vistas as coisas com a distância do tempo, muito do que era confuso torna-se claro. O Brasil era muito pouco importante economicamente e encontrava-se em uma região indiscutivelmente partícipe da esfera de influência norte-americana. Não havia outras adesões possíveis e nem parecia haver outras desejáveis. Nessa perspectiva, não causa qualquer estranheza que tenha sido possível recrutar elites dispostas à defesa dos interesses dominantes nessa parte do mundo.

E foi possível levar a coisa adiante, dando-lhe ares teóricos e postulando a inevitabilidade da dependência. Aqui desnuda-se a insuficiência epistemológica de quantos, a partir de constatações, criaram prisões doutrinárias, negando a própria história, entre outros fatores mais. A dependência que se constatou então realmente havia, mas sua permanência não era um axioma, como quiseram seus defensores.

Hoje, quando a dependência brasileira diminui a galope, ainda há quem insista na impossibilidade disso, embora o processo marche nas suas vistas. Ainda mais contraditório é que a dependência recua – notadamente pelo aumento da detenção de meios energéticos – ao passo que a integração econômica com o mundo também progride. É possível, para horror de muitos, seguir a marcha autonomista e abrir-se aos mercados mundiais, simultaneamente.

Por isso, os mais recentes suspiros entreguistas revelam poucas potencialidades. E, por ser possível que estejam por esgotar-se enfim, podem ser os mais perigosos. O moribundo ergue-se muito teso e crispado na última vez que se ergue.

A economia brasileira cresceu 9% e houve quem achasse ruim!

A economia brasileira cresceu, no primeiro trimestre de 2010, 9% em relação a igual período de 2009. É crescimento econômico em ritmo chinês ou indiano, muito superior à média mundial e à média brasileira.

Não há, no crescimento econômico, o que se considerar ruim. Há, claro, que se buscar formas mais equânimes de distribuir os resultados, que são apropriados muito desproporcionalmente, mas isso é outra estória. Junto com esse exuberante crescimento, verificou-se uma redução do desemprego.

Não obstante, alguns meios de comunicação de massa esforçaram-se até os limites da incoerência absoluta e do desrespeito pelo inteligência alheia para apontar aspectos negativos de um crescimento econômico de 9%.

Por um lado, isso é bom, porque deixa evidente que os meios de comunicação não estão minimamente preocupados com a qualidade ou com a veracidade de quanto dizem. Estão preocupados em fazer campanha política partidária contra o atual presidente da república e sua candidata.

Avançarão até os píncaros da incoerência e da estupidez para prestar serviços ao candidato de oposição ao governo, José Serra, tentando inclusive negar que crescimento econômico seja bom! Eu gostaria muito que esses jornalistas de globos, folhas de são paulo, estados de são paulo e outros meios desse tipo, fossem dizer na Europa que crescimento econômiuco é uma coisa ruim.

A senhora Clinton e o furor de impor sanções ao Irã. Os EUA movem-se por má-fé ou estupidez?

Teerão.

Anatole France dizia que a estupidez é pior que a má-fé, porque a primeira é mais laboriosa, descansa nunca, enquanto a segunda pára em alguns momentos. O elegantíssimo escritor furtou-se a tecer algum comentário sobre essas duas inclinações atuando conjuntamente, todavia. Teria sido precioso se o tivesse feito.

Os Estados Unidos da América, falando por intermédio de uma enfurecida senhora Rodham Clinton, querem que seu braço diplomático, a ONU, imponha sanções ao Irã, a despeito do acordo nuclear recentemente celebrado. E, se querem, vão conseguir. A questão é: para quê?

Por apreço a normas e preocupação com a paz mundial não é, a toda evidência, porque se prezassem essas coisas não apoiavam irrestritamente os crimes israelenses. Restam, como possíveis causas, a vontade de fazer uma guerra e de levar mais adiante a encenação de polícia moral do mundo.

Os governantes norte-americanos são mantidos pelo dinheiro das indústrias bélica, energética e pelos bancos e devem a elas submissão integral. Assim, devem atuar em função dos interesses dessas mesmas indústrias. Portanto, uma guerra sempre é desejável, senão não se vendem armas, gasolina e promissórias. Até esse ponto, as coisas podem ser compreendidas a partir da atuação da má-fé. Porém, a estupidez entrará em cena, para tornar pior a situação.

Não convém testar certos limites, ante o risco de gerar situações sem retorno. Quando se testam os limites do discurso mentiroso, distribuindo-o fartamente, produz-se não apenas sua desconstrução. No limite, mais que incoerente ele torna-se desprezível. Em momento posterior, não somente uma linha discursiva, mas toda e qualquer variante, tendem a serem consideradas desprezíveis.

Então, age-se sem apoio teórico, apenas com a força e os interesses. Nesse campo, também, a situação pode fugir ao controle. É lugar-comum que se sabe como uma guerra começa, mas que dificilmente sabe-se como termina. Uma guerra contra o Irã deve começar com os indefectíveis bombardeios aéreos israelenses, mas pode encerrar-se de várias maneiras, inclusive com a destruição de Jerusalém.

Os conflitos põem em evidência conectivos de solidariedade que antes eram ignorados ou desprezados, porque os senhores da guerra gostam de desconhecer a cultura, a história e as religiões. Quando essas ligações evidenciam-se e põem-se a atuar, percebe-se que a guerra foi gerada sem se considerarem todas as variáveis possíveis. Enfim, sem mais palavras, os problemas são muito maiores do que aparentavam ser e certas potencialidades adormecidas acordam.

Curiosamente, depois de despertados alguns seres que se julgavam acometidos por uma doença do sono eterno, alguém tem a idéia de tentar novamente o discurso, aquele mesmo que foi conduzido à categoria de coisa desprezível, por terem sido testados seus limites. Nesse momento, pode já ser muito tarde para tentar curar feridas com palavras, ademais palavras falsas.

Saúde e educação públicas, no Brasil. É necessário envolver as classes médias.

Na democracia representativa o poder pertence ao povo apenas em termos formais ou retóricos. O ato de votar em representantes não se confunde com o exercício real do poder, materializado em decisões tomadas cotidianamente. O poder está muito mais na potencialidade econômica e na inserção nas camadas do estado que na possibilidade de manifestar uma escolha em um dado momento.

Feita a escolha, as distâncias se alargam entre os mandantes e os mandatários e entre os mandantes e os burocratas não mandatários. Então, os serviços públicos fundamentais, como saúde e educação, não estão voltados a uma boa prestação porque as camadas que exercem efetivamente o poder não os consomem.

Não há interesse em prestações públicas eficazes de saúde e educação, no Brasil, porque os estratos sociais dominantes não são seus utilizadores finais preponderantes. Esses estratos preferem aumentar a apropriação de rendas e consumir serviços privados, deixando aos serviços públicos a tarefa de atender aos mais pobres e menos poderosos.

Para que fossem melhor prestados, esses serviços teriam que ter as camadas médias e médias-altas como destinatárias. Mas, observa-se precisamente uma inversão da lógica do serviço público, pois o estado dá subsídios a quem menos precisa, para que adquiram serviços privados em setores de participação pública formalmente universal.

Vigora no Brasil um absurdo que são as deduções de despesas médicas e educacionais privadas do imposto de renda devido anualmente. Essa renúncia fiscal é concentradora de rendas e ajuda precisamente a quem menos precisa de ajuda. Ademais disso, é destituída de lógica institucional porque se os serviços são públicos e universais não há razões para oferecer subsídios a quem os compra à iniciativa privada.

O dinheiro das deduções de despesas médicas e educacionais do imposto de renda deveria ser gasto nos sistemas públicos dessas duas áreas. É preciso jogar as classes médias e altas no Sistema Único de Saúde e na educação básica pública, para que elas melhorem para todos. Porque essas classes tem poder de reclamar uma melhora real das prestações.

Trata-se de envolver o máximo de pessoas, de classes sociais mais elevadas, no problema dos serviços públicos fundamentais, evitando que sigam sua trajetória de coisas para pobres e, portanto, coisas que podem funcionar mal. As prestações privadas de saúde, por meio de planos e seguros, não devem ser subsidiadas com dinheiros públicos, pois isso representa a iniquidade pelo duplo e chancelada pelo estado.

A dedutibilidade é o prêmio da inércia concentradora que permeia a história desse país. Por outro lado, retrata bem nosso oportunismo na apropriação de recursos públicos, sob os vários disfarces utilizados, sendo o mais comum o discurso meritocrático. O mérito aqui consiste em uma minoria retirar o máximo de uma maioria, por intermédio do Estado, embora esse devesse atuar para todos.

Essa sistemática explica porque os discursos repetidos à exaustão contra os tributos são essencialmente insinceros. Quem reclama contra os tributos altos sem correspondência com serviços públicos bons é precisamente o grupo que recebe compensações estatais indiretas, como salários maiores que as utilidades, isenções e subsídios. Na verdade, esse grupo paga poucos tributos por poucos serviços. Apropriou-se do estado para receber dele os meios financeiros de consumir serviços privados.

Os mais pobres, esses pagam muitos tributos por serviços ruins e são precisamente aqueles cujas reclamações são menos articuladas e menos tomadas em conta. Pagam mais porque fazem-no sobre o consumo, de forma inescapável. Proporcionalmente às rendas, um sistema que tributa preferencialmente o consumo, penaliza evidentemente os mais pobres.

Até mesmo por imperativo de coerência discursiva liberal e meritocrática, os subsídios embutidos nas deduções de despesas médicas e educacionais deviam ser absolutamente suprimidos. Quem pode e quer escapar dos serviços públicos de saúde, que o faça por sua conta e sem a ajuda da entidade que deveria provê-lo igualmente a todos.

Enfim, se as camadas mais ricas da sociedade brasileira tivessem que recorrer à saúde e educação básica públicas, rapidamente esses serviços melhorariam de nível, em benefício de todo o grupo.

A obra do capitalismo sem regulação.

Essa fotografia é terrível. Um pelicano inteiramente impregnado de óleo, em alguma praia no Golfo do México. Como ele, vários outros bichos vão morrer banhados em óleo, por conta do imenso vazamento de um poço da British Petroleum.

Hoje sabe-se que as agências de regulação norte-americanas oscilam entre a não exigência de qualquer medida de segurança e a leniência com o descumprimento de alguma exigência. As corporações agem da maneira que melhor lhes parece, sem qualquer consideração por normas ou pelo risco ambiental de suas atividades.

Essa mesma gente sente-se à vontade para financiar embaraços ambientais em países mais pobres, exatamente para travar-lhes algum desenvolvimento, que implicaria menos dependência com relação a elas. Fazem seus papéis de mentir e dominar e as platéias, aceitando os discursos, fazem o seu de serem espectadores tolos e disciplinados.

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