Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

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Arrogância com ignorância. Três norte-americanos bêbados na Índia.

Arrogância e ignorância juntas resultam no seguinte: três norte-americanos à volta dos 40 anos estavam no estado indiano de Tamil Nadu.

Encheram a cara, na comemoração da passagem de ano, e julgaram estar em algum local de gente permissiva e, principalmente, submissa. Se estivessem no Brasil, teria dado certo, porque reunimos essas duas qualidades em altas doses.

Bem, puseram-se a assediar as mulheres que passavam na rua e a tentar agarra-las e beija-las à força.

Eles, em geral, têm por hábito ignorar completamente os costumes dos países que visitam e acreditam serem recebidos como dádivas a serem compreendidas. Mais que isso, pretendem-se destinatários de toda complacência e reputam o mundo não ocidental um grande bordel.

O resultado: foram espancados por pessoas indignadas com a indignidade e, depois, presos…

A burrice é arrogante e resulta na morte de funcionários da ONU no Afeganistão.

Um pastor evangélico norte-americano, Terry Jones, inventou de queimar exemplares do Corão. Foi demovido dessa estupidez e descortesia imensas, sabe-se lá a quê custo.

Mas, como a burrice e a falta de cortesia não encontram limites, outro fulano do tipo, Wayne Sapp, retomou a idéia e concretizou a queima, em 20 de março próximo passado.

Como resultado previsível de uma agressão, houve reações. No Afeganistão, que nem os ingleses, nem os russos conseguiram desorganizar como os norte-americanos estão a fazer, mataram-se vários funcionário da ONU.

Não mataram soldados norte-americanos porque não conseguiram, é óbvio. Mas, o pessoal da ONU serve para isso, pois material e formalmente identifica-se como outro, para os afegãos.

Uma ação dessas não se inscreve em movimentos estratégicos maiores de criação e manutenção de tensões e conflitos. Para isso, os interessados servem-se de meios sistemáticos e articulados, não de manifestações isoladas.

Ou seja, o ambiente, na sua dinâmica própria, iniciada e lubrificada por litros de massificação e maniqueísmo raso, gera atos pontuais com um potencial imenso de agressão. São manifestações profundas de burrice e de arrogância.

Sim, a burrice é profundamente arrogante, porque é intrusiva e não considera as hipóteses contrárias. Ou seja, a burrice tem mão única, ele não leva em conta que o agredido é exatamente como o agressor, se estivessem em posições inversas.

Identificam-se, burrice e arrogância, precisamente em desconsiderar que as reações que uns têm diante de agressões os outros também as terão. A burrice sente-se tão superior ao outro que não imagina, nem prevê que ele reaja. Não o considera um ser com valores, dignidade e honradez próprias, logo imagina-o destinado a resignar-se às agressões. Nisso, é profundamente arrogante.

Essas tolices pontuais e desarticuladas do grande sistema são muito inconvenientes para os senhores da guerra, do imperialismo. Eles querem ter sob algum controle as rejeições que despertam, querem manter um discurso de aparências que, embora divorciado de suas práticas, não contenha agressões formais evidentes.

Assim, o sujeito sai de casa para matar, porém a falar de direitos humanos, tolerância, democracia e outras coisas de nebulosa existência. Assim, vai matando e roubando e justificando-se e explicando-se e mentindo.

Aí, surge um sujeito que não percebeu o grande acordo e rasga as conveniências, afirma a diferença, a inferioridade dos outros, viola seus símbolos caros, despreza consequências previsíveis. Enfim, surge um idiota arrogante, mas sincero.

 

Preconceito e arrogância alemãs.

É ótimo quando certas situções-limite são atingidas e os disfarces postos de lado. Quem se equilibrava com enormes dificuldades em uma fingida cordialidade, imposta convencionalmente, chega a um momento em que vê-se livre dela e diz o que pensa. O caso aqui é a discussão entre jogadores da equipe argentina e da alemã.

Os mais ricos farão triunfar sua versão, claro, mas isso não impede que algumas palavras sejam ditas, buscando-se o máximo de precisão. Os argentinos falam de futebol e falam deles próprios como grandes executores dessa arte. Enfim, eles adotam o discurso segundo o qual jogam melhor que os outros. Decorre desse pressuposto que eles acham os outros inferiores futebolisticamente.

Na verdade, muitos acham isso, os brasileiros inclusive, mas não o dizem com tanta veemência. Contém as afirmações na sua crença na superioridade técnica.

Os jogadores da equipe alemã, em contrapartida, acharam de dizer que os argentinos são desonestos, que visam a induzir os juízes a erros e que são mal-educados. Em um segundo momento a sinceridade transbordou e alargaram os comentários a todos os sul-americanos. Isso vai além de futebol, obviamente.

Para os argentinos deve ter sido duro serem postos no mesmo grande grupo de sul-americanos, que eles sempre julgaram-se algo à parte, na verdade. Mas, calha bem ao retorno à realidade perceber que na hora da verdade, para um alemão, pouco importa que alguém seja argentino, brasileiro, chileno, paraguaio ou qualquer outro sudaca. No fundo é um ser desonesto, ardiloso e mal-educado que visa a induzir os árbitros a cometerem erros.

Espero, embora evidentemente não possa adivinhar resultados, que a Argentina atue coerentemente com sua crença em ter o melhor futebol e massacre os germânicos no retângulo verde. E pouco importa-me que os tedescos sigam sua trajetória – longa – de preconceitos de superioridade, desde que vejam confirmada a sua inferioridade futebolística.

E espero que percam e continuem dizendo que os sul-americanos são um conjunto de desonestos, ou seja, que continuem não compreendendo de que se trata, enfim.