Esta frase transcrita no título torna-se, a pouco e pouco, tão frequente quanto o consagrado Deus é fiel. Na verdade, serve-lhe de subtítulo, a acrescer lógica de rancor, comércio e mesquinharia ao que originalmente era apenas um vazio enorme.

Está em carros de adeptos de seitas evangélicas não históricas e, quase de regra, em carros um tanto baratos. Claro que aqui emerge uma primeira contradição, exceto se nos pusermos a relativizar todas as camadas de sucesso e considerar todos os patamares comparativos possíveis. Mas, não é a contradição que chama atenção nesta frase tão pouco, ou nada, religiosa.

Aqui, destaca-se a lógica; a proposição é toda impregnada de lógica; ela faz sentido internamente, formalmente, se considerarmos os dois substantivos ligados. E esta tamanha logicidade é outra coisa a afastar caráter religioso, pois que crença e lógica não se precisam, nem se implicam reciprocamente.

Mas a lógica aqui é do rancor e da vingança e não resiste a algumas brincadeiras com lógica  material. Evidentemente, a inveja de alguém pode fazer o sucesso de outrem, mas numa perspectiva psicológica, ou seja, interna à pessoa alvo da tal inveja e dentro duma espécie de sinalagma dual.

Admitindo-se que haja um sucesso – assim mesmo, não definido nem parametrizado – o que seria dele se não se encontrasse a inveja que foi postulada como sua causa? Deixaria de existir! Se uma coisa foi posta como causa de outra, a supressão da primeira atrai a da segunda…

Daí que, antes de tudo, é necessário haver a inveja. Ora, não é confortável para pessoas anacrônicas como eu ter de por a inveja na condição de categoria fundamental ou necessária. Mas, para quem postula o sucesso como causado pela inveja, é!

Muito romanticamente, preferia não ter de render homenagens à existência da inveja e mesmo ansiar por sua disseminação, se quero também que haja sucesso.

O fulano que homenageia a inveja como causadora do seu sucesso precisa que exista inveja e, interessante notar, até nas axiologias mais rasteiras e massificadas é consenso reputar a inveja algo indesejável! Como ficamos então, se a inveja é algo indesejável, mas condição necessária do sucesso, que é desejável?

Evidentemente que, do ponto de vista material, que é o que está em jogo, a inveja não é absolutamente causa de sucesso algum. Nisto a frase é apenas tola. O sujeito talvez precise invocar a inveja alheia como motivo para sua tenacidade no trabalho e no acúmulo de mais posses. Todavia não é um sentimento alheio a causa de melhora patrimonial de alguém.

Postular um absurdo tal dá mostras do nível de subjetividade em que se vive. Uma situação em que as intrigas cotidianas pelas mais pequenas coisas passa a ocupar o altar principal onde se rende culto. E a que se rende culto? Às pequenezas da alma vulgar, claro.