Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

Autor: Andrei Barros Correia (Page 97 of 126)

A brincadeira que gostava de ter feito.

Alguém pode achar ofensivo ou até mesmo melindrar-se, quando vir que a brincadeira do título materializou-se em dois experimentos acadêmicos. Mas, devo esclarecer que não quero chamar às experiências científicas brincadeiras, apenas que para mim eram vistas assim, até saber que a ciência se apropriava das minhas idéias ou que, pelo menos, as confirmava.

De parte as brincadeiras e a minha presunção de originalidade, leio que investigadores científicos franceses, de duas instituições, deram verniz científico ao que um observador da vida – e principalmente da vida das nobrezas ascendentes de província – pode constatar com alguma regularidade.

Esses senhores investigavam a influência dos preços na percepção de qualidade que as pessoas formam sobre os vinhos. Dispondo de laboratórios e recursos puderam cientifissicar aquilo que o mortal comum pode apenas enunciar em conversa de mesa de café.

Eles – inatingíveis troçadores – puseram um único e mesmo vinho em diferentes garrafas, umas de marcas ordinárias e outras de marcas prestigiosas. E o resultado foi nada mais que o esperado. O mesmo conteúdo em continentes diversos produziu reações tão variadas quantos os preços que as garrafas sugeriam.

Os provadores eram afirmativos em apontar a superioridade dos vinhos que as garrafas mais caras vertiam e negavam qualidades aos que desciam das garrafas ordinárias, embora fosse o mesmo vinho! Em defesa, não do experimento, mas das pessoas, deve-se dizer que não eram mentirosas nem desonestas.

Eram presas de um mecanismo quase infalível de sugestão. O preço sugere qualidade e, tudo isso sugere que nossas avaliações são muito mais superficiais do que gostamos de fazer crer.

Nixon tinha frêmitos nucleares.

Richard Nixon.

Richard Nixon foi o bandido mais inteligente da política norte-americana nos últimos cem anos. A grande viragem econômica do mundo deu-se com ele, por meio do maior calote já dado: a desatrelação do dólar norte-americano ao ouro. Isso permitiu a continuidade da elevação do nível de vida sem necessidade de poupança. Passariam, então, a ser os maiores consumidores e devedores do mundo.

Ele percebeu uma coisa que dá náuseas em muitos, mas que deve ser dita. Que o lastro do dólar em urânio enriquecido era mais forte que em ouro. Na verdade, um e outro sinal desse fascínio de Nixon pelo metal não-ferroso extremamente pesado já se conhecia.

A conversa mantida com Henry Kissinger sobre o lançamento de bombas nucleares no Vietnam já se conhecia. Então, ele já via sua popularidade despencar por conta da guerra no sudeste asiático e perguntou a Kissinger o que achava de usar as Bombas. O secretário teria objetado que era excessivo. O presidente o teria instado a pensar grande.

Encontraram uma forma menos drástica e mais sofisticada de acabar a guerra. Foi a visita de Nixon a Mao, na China. Essa magnífica manobra diplomática evidenciava que a guerra não tinha mais qualquer sentido, porque se o presidente norte-americano visitava o chinês estava claro que a tese do efeito dominó não tinha mais serventia e aplicação.

Agora, documentos que deixaram de ser sigilosos apontam que Nixon cogitou das Bombas contra a Coréia do Norte, em 1969, na esteira de tensões decorrentes da derrubada de uma avião de espionagem norte-americano pelos norte-coreanos. Na ocasião, elaborou-se um plano de nome Freedom Drop – essa insistência deselegante e ridícula com a palavra freedom devia ensejar estudos – que continha as linhas gerais de um ataque com vários artefatos nucleares táticos.

É interessante notar as estimativas de baixas civis, feitas na ordem de uns cem a alguns milhares. Revela claramente o baixíssimo nível de preocupação com a letalidade das medidas, pois de uns a muitos vai um imenso caminho. Essa imprecisão evidente permite ter idéia que o número de baixas civis não estava entre as grandes preocupações.

Essa vontade nixoniana de lançar as Bombas no sudeste asiático – diante de qualquer situação mais fraturante – também interessa para compreender-se o discurso norte-americano atual sobre as armas nucleares. Hoje eles falam bastante em evitar que algum país desenvolva essas armas porque não seriam detentores seguros e confiáveis das Bombas.

Mas, parece ficar muito claro em que mãos elas estão inseguras. Ora, eles cogitam a três por quatro lançar bombas atômicas sobre os outros, preocupam-se muito pouco com as baixas civis que isso acarretaria, e ainda sentem-se à vontade para acusar outros países de serem inseguros?

São coerentes, todavia. Israel treme-se de desejo de lançar as suas Bombas sobre o Irã e não faz questão de escondê-lo. E são festejados pelos Estados Unidos da América como seguros e confiáveis aliados! Claro, pensam da mesma maneira.

Al pueblo paraguayo. Um texto de Eduardo Guimarães.

El pueblo paraguayo ha sido insultado en una televisión brasileña, la SporTV, que pertenece a la cadena de televisión Globo. Fue un ataque injusto, estúpido, que ha dejado avergonzados millones de brasileños que no comparten del preconcepto de una elite criminal, racista, que no hace lo que hizo solamente con vuestro pueblo, pero con sus propios compatriotas pobres.

Quién firma este artículo es un brasileño, es importante que sepan. Escribo a nombre de la mayoría de nuestro pueblo, estoy seguro. Un pueblo que, también en su mayoría, es sencillo, alegre, amistoso como es el pueblo paraguayo.

Les pido a los paraguayos que entiendan que quién los insultó de esta manera brutal como ha hecho la Globo, fue solamente la Globo, una corporación que ha crecido haciendo favores a la dictadura militar brasileña entre los años 1960, 1970 y 1980, apoyando asesinatos y torturas de los patriotas que enfrentaran aquella dictadura, que se mantuvo en el poder por más de veinte años.

Soy un comerciante que viaja por Latinoamérica para vender repuestos y que ha aprendido a amar la cultura de los pueblos hispánicos de esta parte del mundo. En mis viajes, he hecho muchas amistades, incluso en Paraguay.

A mi me encanta desde la sopa paraguaya hasta el jacaré. La música, los costumbres, las señoritas hermosas, los hombres valientes. He torcido arto por la selección de Paraguay en el juego con España. Me quedé orgulloso de mis hermanos paraguayos, que vendieran caro su derrota a los españoles.

En resumen, mis hermanos, no tengo más palabras para pedirles perdón, no por mi pueblo, que jamás haría lo que hizo la Globo, que es una infección que contamina nuestro país con su programación estúpida, racista, vendida a los intereses del mundo rico y que el pueblo solo mira en la tele por falta de opción. Pido perdón, si, por este país tener esta enfermedad que se llama Globo.

En algunas semanas viajo a Paraguay a trabajo y voy a intentar hablar más a ese pueblo hermano, para que no crea jamás que lo que hizo aquella televisión criminal tiene algo que ver con lo que piensa y siente el pueblo brasileño por sus hermanos paraguayos, a los cuales un Brasil que no existe más hizo tanto mal en el pasado, pero que habrá de reparar tales crímenes en el futuro.

Muchas gracias y mil perdones, mis hermanos paraguayos. Que viva por siempre la amistad de Paraguay y Brasil.

« Older posts Newer posts »