Texto de Ubiratan Câmara de Queiroz.
Chegou o convite… era preciso escrever.
Os dias se passaram, as desculpas, por mais banais que fossem, convenciam, pelo menos a mim.
O receio, ao longo do que eu via escrito na poção, existia. Mas, pensando bem, deixar de escrever supera as eventuais bobagens das minhas palavras em deselegância. Assim espero.
Pois bem. As notícias da manhã de hoje me despertaram a atenção. Em especial:
– As declarações feitas pelo general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para ocupar uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), de que militares homossexuais não teriam condições de comandar tropas geraram inúmeras críticas nesta quinta-feira em todo o país.
– Casal de mulheres vai à Justiça para dar seus sobrenomes ao filho.
– O Parlamento português aprovou em 08 de janeiro uma proposição de lei do Governo socialista para permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mas descartou a possibilidade de adoção por estes casais.
Oportuno ressaltar, desde já, que as linhas que se seguem não são manifestos particulares favoráveis ao ativismo multicolorido, sequer proselitismo pederástico, muito menos hostilidade aos homossexuais. Nada disso!
O que me parece digno de registro – e não se trata de qualquer novidade – é que, paulatinamente, os homossexuais adquirem mais respeito e afirmação social, notadamente a partir das últimas décadas do século passado. De sorte que não seria leviano afirmar que este é o século dos homossexuais, como foi o pretérito das mulheres, que, relembremos, inauguraram em solo pátrio apenas em 1927 o direito ao voto, no Estado Potiguar.
A sociedade, diante da afirmação exponencial política, econômica e social da classe homoafetiva, tende a minorar a hipocrisia, afinal, não são todos os seguidores de Pedro que se dispõem a ceifar a vida de um filho gay, ou a sua própria, como abertamente propalam.
Diante deste fortalecimento social, do respeito gradativo, a parada gay parece ser uma manifestação anacrônica, pelo menos quanto movimento de afirmação que se pretende. Não parece razoável exigir direitos fantasiados em máscaras, paetês, lantejoulas e reduzidas vestimentas de couro, afinal.
Não se trata de extinguir as paradas – a existência ou não, é ora irrelevante – mas de enquadrá-lo como movimento de estabilização ou manifestação carnavalesca.
Sustenta-se o discurso que o movimento é a mais lídima, justa, persuasiva e democrática expressão dos anseios da categoria.
Acredita-se, por outro lado, que as paradas acabam por convergir a atenção daqueles que a depreciam mais ostensivamente, promovendo, assim, a manutenção do ódio e da reprovação social, anacrônico, portanto. Tal posicionamento, em confronto com o primeiro, já foi taxado em conversa de botequim como justificante dos altos índices de homicídio no Estado da Paraíba.
Instaurou-se o silêncio… não havia mais o que se discutir.