Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

Autor: Andrei Barros Correia (Page 116 of 126)

Quando a burrice, a presunção e a religiosidade se misturam.

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Severiano colocou este video em um comentário que fez a outra postagem. A senhorinha que fala é casada com o futebolista que decepciona Madri, atualmente: Kaká.O futebol tem dessas coisas, uma hora joga-se bem, outra mal, sucedem-se altos e baixos. O futebolista inteligente compreende que há ciclos e esforça-se para superar as fases ruins. Para tanto, há uma condição essencial: reconhecer que está atuando mal, ou seja, ser capaz de autocrítica.

Não creio que essas pessoas sejam muito inclinadas a olharem para si mesmas, todavia. Elas próprias fornecem os exemplos. A senhorinha do vídeo diz algo que é um desafio à nossa compreensão do que é racionalidade humana e mesmo deixa em dúvida se ela existe, como apontou nosso Miguel.

A jovem enuncia o seguinte postulado: Deus pegou o dinheiro que havia no mundo – e havia pouco, por causa da crise – e deu esse dinheiro ao Real Madrid para o clube contratar Kaká! Deus deve estar assombrado com as potencialidades de sua criação, pois fez psicólogos de si próprio. Súbito, Ele percebe que é uma mistura de repartição tributária, adepto do Real Madrid e devoto de Kaká. Deve ter passado umas noites sem dormir, o coitado do Deus.

O BRIC e o PIGS!

PIGS

PIGS

Ontem, encontrei um velho amigo que há muito tempo não via. E como sempre se faz nessas ocasiões, fomos conversar bebendo algo e contar da vida de cada um, um pouco.

Eis que no meio da conversa ele me fala sobre os PIGS, bom a primeira coisa que me veio a cabeça foi exatamente a história do PIG* de Paulo Henrique Amorim. Não era…

Qual não foi minha surpresa fiquei sabendo que, a imprensa inglesa se referia por vezes, a (P)ortugal, (I)rlanda, (G)récia e Espanha (do inglês (S)pain), através do acrônimo “PIGS”, ou porcos, tal qual tambem se utilizam do acrônimo BRIC para tratar a (B)rasil, (R)ússia, (Í)ndia e (C)hina. A grande diferença está em que os brics (do inglês “brick”) traduz-se por “tijolo”, sendo logo um elogio a essas economias, enquanto que PIG, “porco”, é usado como termo que busca realmente depreciar os PIGS.

Publicações como NewsWeek, The Times, The Economist, ou Financial Times, se referiram a estas economias como os porcos que voavam (the flying pigs), ou tambem utilizaram a expressão, “economia porca”. Dizem que “há oito anos essas economias chegaram mesmo a voar (flying pigs), logo depois de unirem-se a eurozona, mas agora os PIGS voltavam de novo ao solo”.

Mais sobre os “PIGS” no site EuroNews.net em português.

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A Suécia reconhece o genocídio armênio.

O Parlamento Sueco votou e aprovou uma moção de reconhecimento do genocídio armênio, contrariamente à postura assumida pelo governo. Dadas as peculiaridades do sistema de governação sueco, será mais difícil que no caso norte-americano o governo derrubar a moção.

A Turquia retirou de Estocolmo seu embaixador, a deixar clara sua insatisfação com esse arroubo de afirmação de fato histórico pelo parlamento. O primeiro-ministro turco também cancelou uma visita que faria à Suécia.

Uma coisa é interessante. Em certo sentido, os menores são mais livres. Claro que não desconheço a imensa riqueza sueca, tanto em termos absolutos, como em termos relativos – nestes últimos, na verdade, é realmente grande. Mas, não ignoro que diante dos EUA, por exemplo, a Suécia é pequena e tem interesses muito menores na Turquia.

Pode, assim, afirmar o genocídio sem os receios de que a inimizade da Turquia ponha em risco algum aliado, ou que signifique a perda de alguma base militar, ou a possibilidade de estancamento do abastecimento d´água de algum aliado. Isso, realmente, não podem esquecer os Estados Unidos, excepto se se esquecerem um pouco de seus preferidos da província cuja capital é Cesareia.

Viana do Castelo. A multidão lincha!

Multidão exultante com a justiça materializada.

Um jovem morreu, vítima de espancamento, em Meadela, freguesia de Viana. Andava a vandalizar lojas, com seu grupo. Pessoas insatisfeitas cercaram-no e lincharam-no até quase morto, numa atuação que os mesmos classificaram de justiça popular. Findou por perecer no hospital de Braga.

Os adeptos de seu grupo de jovens já prometeram vingança. Ou seja, a justiça popular anuncia que seguirá sua marcha de força sem controlos, agora na mão de retorno. O máximo que ela atingirá de não violência serão as acusações de sempre: o fulano errou; não, foi o sicrano que errou. Ambos merecerão morrer!

Alguém falava do que resulta quando as massas atuam livremente, segundo a metodologia da ação direta. Recorrem ao que detém, ou seja, à violência. O que ele enunciou é válido, não apenas para o exemplo norte-americano, de que se serve pontualmente:

Não é totalmente por acaso que a Lei de Lynch é americana, já que os Estados Unidos são, de certo modo, o paraíso das massas. Nem muito menos se pode estranhar que agora, quando as massas triunfam, triunfe também a violência e se faça dela a única ratio, a única doutrina.

José Ortega y Gasset, n´A Rebelião das Massas.


Pedras, cimento e cal amontoados aleatoriamente não fazem uma casa.

Kaká, sem compreender como deu errado.

O Real Madrid seguiu o exemplo do novo-riquismo. Inventou dinheiro e saiu comprando futebolistas sem perguntar o preço. Nada demais nisso, pois geralmente os mais caros futebolistas são os mais competentes com a bola.

Mas, geralmente não quer dizer sempre. E, a reunião dos mais caros também não quer dizer a melhor equipe. Eis que o Madrid não tem êxito na Uefa e fica estupefato, como se se perguntasse: meu Deus, como pode dar errado?

Ora, deu errado simplesmente porque a regra do quanto mais caro, melhor,  não é uma verdade absoluta!

Habeas Pinho, de Ronaldo Cunha Lima. O poeta só poetando.

Ronaldo Cunha Lima é um político paraibano, originário de Campina Grande. Mas, não é de política que se fala aqui, é de poesia. Porque ele também faz versos, inspirados nas motivações populares e regionais. O poeta poetando é melhor que o político politicando.

Conta-se que, um dia, ou uma noite, reuniam-se boêmios campinenses em torno de canções, bebida e um violão. Por alguma razão, achou-se que o convescote ofendia moralidades silenciosas e os cantadores e o violão foram presos. Os trovadores populares obtiveram a liberdade rapidamente, mas o pobre instrumento de cordas permaneceu detido!

Ronaldo, então, interpôs a famosa ação judicial liberatória, em favor do violão, e o fez em versos, chamando-a de Habeas Pinho. É inegavelmente bela, essa trova de inspiração singela. O violão foi solto, por um juiz também poético.

Senhor Juiz.
Roberto Pessoa de Sousa

O instrumento do “crime”que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revolver ou pistola,
Simplesmente, Doutor, é um violão.

Um violão, doutor, que em verdade
Não feriu nem matou um cidadão
Feriu, sim, mas a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade
O crime a ele nunca se mistura
Entre ambos inexiste afinidade.

O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam mágoas que povoam  a vida
E sufocam as suas próprias dores.

O violão é música e é canção
É sentimento, é vida, é alegria
É pureza e é néctar que extasia
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório.
Mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Ele, Doutor, que suave lenitivo
Para a alma da noite em solidão,
Não se adapta, jamais, em um arquivo
Sem gemer sua prima e seu bordão

Mande entregá-lo, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno acoite
De suas cordas finas e sonoras.

Liberte o violão, Doutor Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.

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Spy vs Spy – Retaliação brasileira aos EUA.

Amostragem 1:

“Puta merda que imbecilidade, espero que entrem em algum acordo…”

“pqp, vou ter que começar a importar do ebay até comida, pqp ta foda mesmo. Agora que eu vi vai subir também o II pra relogio que é caro pra caralho no brasil. E pra carro de 35 pra 50% . viva a fronteira.”

“Que coisa doente, eu fico é feliz com o subsídio que os EUA dão pro algodão. Afinal é o povo americano que está pagando pro algodão ser mais barato pra gente aqui.”

“Vamos ver até onde esse país de Comunistas onde eu vivo vai aguentar… Quero ver quando isso aqui se tornar uma Venezuela…Vamo fazer fila pra compra um pacote de salsicha podre!”

“Porra, acho muita sacanagem quando fecham o mercado para produtos que num são produzidos por aqui… Onde vou arrumar oculos de sol com lente decente agora????”

Amostragem 2:

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O tamanho do saque pode explicar o tamanho da guerra.

O almoço, de Jean-Baptiste Debret

Apenas 10% da população brasileira ganha mais de cinco salários mínimos por mês. Ou seja, mais que R$ 2.500,00, algo em torno de € 900,00.  A concentração de rendas é brutal, a maior do continente americano, tomando-se em conta os países com estatísticas minimamente confiáveis.

Nos últimos anos, esses níveis de concentração reduziram-se um pouco, o suficiente para que classes afastadas do consumo se entregassem a ele, sofregamente, adquirindo uma série de objetos a crédito. Isso satisfaz a vendedores e compradores, diminui os efeitos das crises financeiras no Brasil e cria fantasmas para certas porções das classes mais elevadas. Têm medo, como tinham-no os chefes do catolicismo formal diante de qualquer manifestação de religiosidade mística popular.

Os créditos da pouca redução de desigualdades verificada recentemente são dos dois governos sucessivos do Presidente Lula. Isso não é uma opinião e não vou aqui alinhar tábuas de números e gráficos a demonstra-lo. Acho que foi muito pouco, mas sempre melhor que nada. Há muito mais desigualdade a se reduzir, para além das simplesmente econômicas.

Não é demais lembrar que as desigualdades sociais brasileiras são nitidamente desproporcionais às desigualdades de aptidões que podem existir, potencial e faticamente, entre as pessoas. Desigual, na raiz, é a herança, ou seja, a inércia do conservantismo. O legado da dominação, esse é bastante desigual.

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A imprensa brasileira tradicional mente por razões políticas.

Não há escândalo na constatação de que o discurso de jornais e televisões tem lado, politicamente. A imprensa não é ideologicamente inerte, nem imparcial ante os fatos e suas repercussões econômicas e políticas. Com efeito, somente os ingênuos ou mal-intencionados vivem a esperar dos media o lugar-comum chamado imparcialidade.

Não obstante a total normalidade que há na parcialidade política da imprensa, esse jogo tem algumas regras não escritas. Essas regras implicam, em resumo, que opiniões são de quem as emite, mas fatos, esses convém dá-los ou escondê-los, nunca inventá-los.

Hoje, no Brasil, violam-se esses e outros preceitos farta e abertamente. Não apenas inventa-se o que não há, como dão-se opiniões inseridas na aparente cobertura de fatos. Não digo – outro lugar-comum – que a imprensa perca a credibilidade, até porque só se perde o que já se teve. Digo que ela precisa assumir-se outra coisa que não imprensa e aqui estou claramente seguindo o que disse o Presidente Obama da Fox News: é um partido político.

O fundamental em qualquer discurso mediático não é a credibilidade do que afirma, mas o nível com que o faz. A credibilidade é uma qualidade que se insere e se torna parâmetro de atuação e reação no discurso de matriz religiosa ou no âmbito da honorabilidade subjetiva. A oferta de notícias não gira em torno a isso. Basta vermos a coisa com algum rigor metodológico.

Um sismo, por exemplo, não é crível ou incrível, ele é um evento da natureza. Ninguém é convidado a acreditar ou não na sua ocorrência, que isso não é problema das placas tectónicas ou da notícia, mas de quem a recebe. Uma eleição, que não é evento natural, obedece à mesma lógica. O receptor pode desacreditar de muitos aspectos que giram em torno dela, mas ela, essa pode somente haver ou não haver.

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