Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

Autor: Andrei Barros Correia (Page 110 of 126)

José Serra e o capitalismo à brasileira: as privatizações de 1994 a 2002.

Como é bom fazer aquilo em que se acredita.

Um texto de Andrei Barros Correia

Imagens são fantasticamente reveladoras. O ânimo de quem faz aquilo em que acredita dificilmente é escamoteado em uma fotografia. Nesta, por exemplo, vê-se José Serra sorrindo muito sinceramente – esse sorriso é o máximo a que ele chega em efusão – no leilão de privatização da companhia de distribuição de energia elétrica do Estado do Espírito Santo, a Escelsa, em 1995.

Anunciava-se a redenção dos males do país com a privatização de tudo quanto fosse vendável. No caso da energia elétrica, privatizaram as distribuidoras, desmontaram o planejamento estatal que, mal ou bem fazia planos, e impuseram uma política de contenção de investimentos às geradoras, que não foram vendidas.

O resultado foi um imenso racionamento de energia elétrica, popularmente chamado apagão, sucedido em 2001 e 2002, os dois últimos anos do governo do doutor – sim, com doutoramentos mesmo – Fernando Henrique Cardoso. Como se sabe, energia elétrica é o insumo mais importante para o crescimento econômico e pode-se perceber as consequências trágicas de dois anos de escassez.

As privatizações, assim como as estatizações, em si, não constituem males nem bens. O problema são suas razões, suas oportunidades, a existência real de regulações e a propaganda. O pessoal do Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu um tremendo risco político anunciando as privatizações como uma salvação, uma coisa de caráter redentor, a entrada no perfeito mundo dos serviços bons e baratos.

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Here comes Your Man, Pixies.

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Parece um The Police da vida, mas fazia uns dez anos que eu não ouvia. E não faz mal, é bastante sonoro e tem uma boa baixista, para quem ainda se surpreende com mulheres em bandas. É curioso, só podia vir do lugar civilizado dos EUA, Boston.

Revista Veja invoca astrólogo para vaticinar vitória eleitoral de José Serra!

Modelo científico que dará a vitória a José Serra

Neste ano de 2010 haverá eleições presidenciais no Brasil. Concorrem Dilma Roussef, candidata do Presidente Lula, e José Serra, candidato das hostes do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.  A imprensa televisiva e a escrita – revistas e jornais – decidiu-se maioritariamente por alinhar-se à candidatura de José Serra e faz campanha mais ou menos aberta. Quanto às televisões, convém lembrar que essa postura é ilegal, pois são concessões públicas. Mas, a legalidade, ora a legalidade…

Revistas e jornais não são concessões públicas e podem dizer o que quiserem, portanto. O problema mais visível – e o mais agressivo para mim – é que dizem o que bem querem, fazem campanha, mas insistem em serem tratados como meios jornalísticos. Mas, tudo bem, uma hipocrisia a mais ou a menos não constitui qualquer novidade.

Todavia, o espetáculo sempre pode ficar mais trágico, na medida em que não há limites na escala para a descida do nível intelectual das publicações. O ridículo e a mentira não conhecem o fundo do poço na verdade.

Eis que a revista semanal Veja – uma publicação muito popular e muito ruim – veicula uma matéria supostamente jornalística, com destaque, em que um astrólogo – sim, um astrólogo – anuncia candidamente que os astros conspiram para dar a vitória nas eleições presidenciais a José Serra!

O decifrador das relações entre datas e astros diz que Há uma espécie de ciência por trás disso. E revela um delicioso segredo: o candidato José Serra adora ler horóscopo e tem especial atenção pelo labor científico-divinatório do astrólogo objeto da tão jornalística matéria.

É desconcertante, simplesmente. Não apenas pela falta de respeito com essa profissão científico-divinatória, mas com os neurônios de quem ainda os põe a funcionar. E se alguém perguntar ao pessoal dessa tal revista qual a sua área, dirão que é informação.

Ratzinger continua a apostar no disfarce.

Joseph Ratzinger

Joseph Ratzinger, o Bispo de Roma, disse que os católicos devem fazer penitência, em face dos ataques que a Igreja Romana vem sofrendo. Sintomaticamente, Ratzinger não se refere à razão dos ataques e sua elocução sugere a existência de uma campanha articulada e desmotivada.

Não é extamente isso que acontece, porque mesmo que possa dar-se alguma campanha articulada, os motivos são bem claros e foram fornecidos por sacerdotes romanos. Molestar sexualmente menores de idade é conduta ilícita na enorme maioria dos países onde o catolicismo romano é forte. Ora, é caso de polícia e de justiça, portanto.

Por outro lado, recomendar penitência aos católicos é uma nem tão sutil maneira de diluir responsabilidades.  Se alguém poderia ou deveria penitenciar-se – abstraindo-se da utilidade prática disso – eram os sacerdotes que cometeram crimes. A sugestão chega a ser agressiva com quem não praticou condutas ilícitas, na medida que imputa responsabilidade coletiva a quem não a tem.

Outra vertente do discurso do Bispo é o perdão. Concordo que criminosos podem pedi-lo às suas vítimas. Mas, dai a crer que elas estão obrigadas a concedê-lo vai uma enorme distância. A que medeia o arrependimento e a arrogância.

Os gatos do Circo de Moscou.

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Até onde sei, esse pessoal do Circo de Moscou foi o único que conseguiu amestrar gatos, ensinando-os truques e fazendo-os desempenhar os papéis. Lembro-me bem de um livro de um tio meu, daqueles grandes, bem encadernados, em papel couché, que era sobre o Circo de Moscou e tinha algumas fotografias desses gatos treinados. Mas, vídeo nunca tinha visto.

Gatos, de regra, só fazem o que querem. Acho que isso está, inclusive, na raiz da simpatia da maioria por cães. As pessoas querem um animal obediente e submisso, isso as faz sentirem-se bem e estimadas. Os gatos apegam-se, sim, às pessoas, mas têm seu tempo próprio e fazem suas coisas antes de qualquer outra. Gostar deles e conviver com os bichanos requer compreender a independência, portanto.

Por isso, os pequenos truques ensinados aos gatos pelo pessoal do Circo de Moscou são a realização de uma grande tarefa. Não consigo imaginar como condicionar um gato a fazer algo de imediato, a um sinal ou um comando. É possível inserir condicionamentos na sua rotina, mas isso torna-se mais uma etapa do seu dia. É diferente de fazer um gesto e ter o gato a fazer alguma coisa para que foi treinado.

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